Blues Etílicos + Blues Connection - Porto Alegre, 24 de Outubro de 2019

Otávio Rocha e Greg Wilson do Blues Etílicos. Foto: Pablito Diego
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Review Márcio Grings Fotos Pablito Diego (Há Cena)

Nominado pela divulgação do evento como O Grande Encontro do Blues, é provável que ninguém poderia escolher uma designação mais adequada a junção de músicos reunida na noite da última quinta-feira (24) em Porto Alegre. Até por quê, sem excessões, os 10 nomes que pisaram no tablado do Opinião, lendário bar localizado na Cidade Baixa, possuem currículos que os colocam na posição de guerrilheiros do gênero no país.  

Meirelles, Fishbone, Martinez, Noronha e Leães - Blues Connection no palco. Foto: Pablito Diego
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Primeiramente em cena - Blues Connection, reunião dos gaúchos Luciano Leães (voz e teclado), Fernando Noronha (voz e guitarra) e Solon Fishbone (voz e guitarra). Acompanhados por Edu Meirelles (baixo) e Ronie Martinez (bateria), juntos, esse bando de ases do blues sulista já moveu montanhas. Numa espécie de bate bola entre amigos, o bastão vai alternando o jogo de revezamento entre ambos. Se o abre-alas dispara Solon cantando "Everyday I Have the Blues" (Pinetop Sparks), Leães nos apresenta "Hunk Dory Boogie", música que deve estar em seu próximo trabalho, e Noronha "When You Get Love", outra inédita em gravações. Entre as releituras, boas escolhas nos mantém com os olhos/ouvidos grudados no palco - "Sitting On the Dock of the Bay" (Otis Redding), "No More Okey Doke" (The Meters), "I Mess of Blues" (Doc Pomus) e "Hoochie Coochie Man" (Willie Dixon), espelhada na releitura de Freddie King.  

Foto: Pablito Diego
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Na minha quinta vez com o Blues Etílicos, dá para afirmar que pude assistir apresentações completamente distintas, tanto pelas escolhas de repertório quanto na vibe dos músicos. Afinal, assim é o blues, cada show é sempre único. Na formação, o mais carioca dos norte-americanos - Greg Wilson (voz e guitarra), Otávio Rocha (guitarra), Flávio Guimarães (voz e harmônica), Cláudio Bedran (baixo) e Beto Werther (bateria). Em mais de 30 anos de trajetória, em suas apresentações o grupo alterna standards do gênero com temas próprios. Destaque para a sempre bem-vinda "Dente de Ouro", que no CD homônimo lançado em 1996, apresenta um delicioso flerte entre o blues e ritmos brasileiros. Ao vivo, podemos ver/ouvir Otávio Rocha emulando o berimbau com a guitarra, propondo uma das visões mais autorais e legítimas do blues tupiniquim. A língua portuguesa continua falando alto em "Terceiro Whisky" "Cerveja", parceria do grupo com Fausto Fawcett, delatando brasilidades em suas histórias, e não apenas arremedos de letras que não condizem com a nossa realidade.   

Foto: Pablito Diego
Uma das grandes vitórias da música do Blues Etílicos é justamente não apenas visionar paridades com o blues 'de lá', mas principalmente propor uma ligação com o som 'daqui'. É nesse diálogo que encontramos a singularidade do mais legítimo dos grupos de blues surgidos no Brasil. Seu legado ainda reverbera em centenas de músicos tomados pelo encosto desse Preto-Velho, espírito bluesman que habita a alma do quinteto carioca. Ao final, em clima da jam session, retornam ao palco Leães, Noronha e Solon, finalizando a noite com versões para "The Things That I Used to Do" (Guitar Slim), "I'll Make Love To You Anytime" (J.J. Cale) e "Walking By Myself" (Jimmy Rodgers). Que venham mais noites como essa!  

Foto: Pablito Diego

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