Luana Pacheco - Santa Maria, 16 de Agosto de 2019

Foto: Pablito Diego
Cantora gaúcha foi a sexta atração a passar pelo palco do Memorabilia Blues no Plataforma 85

Por Márcio Grings

Depois de Wee Willie Walker (USA), Witney Shay (USA), Tom Worrell (USA), Luciano Leães & The Big Chiefs (BRA) e Anthony 'Big A' Sherrod, o Memorabilia Blues no Plataforma 85 recebeu na última sexta-feira (16) a cantora gaúcha Luana Pacheco. Em formato intimista, a apresentação abandona a moldura específica do blues e soul, características dos personagens anteriores do evento, espargindo sua atuação para o jazz e a chanson francesa. 

Foto: Pablito Diego
Passado pouco mais de seis meses do lançamento de seu debute autoral em CD, Luana ainda  divulga o conjunto de canções autorais que formata esse trabalho. No palco, além da cantora no violão e voz, seu parceiro de vida e palco, Luciano Leães, que ainda é responsável pela produção do álbum. Fechando o trio, a violinista Miriã Farias, responsável por diversas ambiências e cores que emprestam um charme especial as canções. 

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A apresentação começa com "Parapluie", um blues/chanson que funciona como credencial e perfeita carta de intenções da proposta do show. “Oh mon amour/ Quand le ciel s'effondre/Tu viens/ Oh mon amour, sous un parapluie/ Tu viens (Oh, meu amor, quando o céu desaba, tu vens/ Oh, meu amor/ Sob um guarda-chuva, tu vens)”. A canção de Luana soa cristalina como um clássico da música francesa. Prova disso é que perfilada ao lado de outros temas da noite, standards como "Non, Je Ne Regrette Rien" e "La Vie En Rose" (Edith Piaf) ou "Ne Me Quitte Pas" (Jacques Brel), a artista porto-alegretense revela aos poucos uma francesia nata. Suas dinâmicas de palco, ora cantando afastada do microfone e soltando a voz, outras vezes apostando na maciez, num tom sussurrado e  delicado, denota uma técnica burilada no espelhamento com a tradição das grandes cantoras do gênero.  

Foto: Pablito Diego
O soul também tinge o setlist, com destaque para molas mestras das apresentações de Etta James "I'd Rather Go Blind" e "Something's Got A Hold On Me" (Leroy Kirkland). Contudo, há um brilho especial na sua homenagem a Aretha Franklin - "(You Make Me Feel Like A) Natural Woman" (Carole King), número que encaixa perfeitamente na interpretação de Luana, um recuerdo válido  há exato um ano do desparecimento da Rainha do Soul. 

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Na linhagem do jazz, "Everytime We Say Goodbye" (Cole Porter) e "All of Me" (Marks/Seymour), eternizada na voz de Billie Holiday, mas aqui na versão de Ella Fitzgerald (grande referência artística de Luana) ganham versões personalíssimas. Já no território do blues, "I Just Want Make Love To You" (Willie Dixon), aos moldes da releitura de Etta James, enfezam o clima no pub, deixando o público  efusivo e participativo. O silêncio, a reverência e a completa atenção da plateia encontra ponto alto na triste-bonita "Maladroite". Ao ouvirmos uma das canções símbolo de seu álbum de estreia, a começar pela introdução do piano de Leães, o tema encontra seu clímax no violino de Miriã Farias, um drapejar límpido, melódico, as vezes fantasmagórico. Valsa triste catalizada na interpretação de Luana, um enlace perfeito junto ao minimalismo e elegância do arranjo. 

Foto: Pablito Diego
Retornando a chanson, "L'Amour" (Carla Bruni), música ao qual venceu em 2010 o III Festival da Canção Francesa da Aliança Francesa de Porto Alegre, evidencia sua capacidade de se apropriar de uma composição e torná-la algo seu. Até mesmo numa divertida picardia como "Les Passants" (Zaz), Luana parece exibir uma autoconfiança e refinamento atribuído a um grupo seleto de cantoras. Aos 30 anos, é perceptível que ela ainda não subiu todos os degraus da carreira, pois certamente ainda há mais a ser conquistado pelo seu talento. 

Foto: Pablito Diego
Com sua impressionante capacidade vocal, em 2h15 de apresentação, é inegável que uma grande cantora passou pelo Memorabilia Blues no Plataforma 85. Em sua primeira vez em Santa Maria, Luana Pacheco encantou o público local. "(You Make Me Feel Like A) Natural Woman" retorna no bis, e quando olho para as expressões da audiência encontro um sorriso em cada rosto. Há recompensa mais vitoriosa do que essa visão espelhada nos olhos de uma crooner

Foto: Pablito Diego
O Memorabilia Blues no Plataforma 85 é apresentado por Ortsac, Brita Pinhal e KL Seguros. Patrocínio: Radiadores Schiavini, Uglione, Neo Autoposto e Ortcons. Cerveja Oficial: Santa Madre. Apoio: Cabeça Arte e Gasoline Barber. Técnica de som: Anderson Bittencourt. Desenho de luz e operação: Vanessa Giovanella. Coordenação administrativa: Alfredo Giardin e Taís Streit. Comunicação e cobertura fotográfica: Há Cena Cultural. Realização: Plataforma 85 e Grings - Tours, Produções e Eventos, em parceria com o Clube do Blues.

Próxima atração, Gonzalo Araya (Chile) + Just Blues, em 13 de setembro. 

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