Vitor Ramil no Festival Fronteiras — Porto Alegre, 16 de maio de 2026

| Por Márcio Grings |

O tempo ajudou. Até o frio dos últimos dias deu uma trégua no encerramento do Festival Fronteiras, no sábado (16), na Praça da Matriz, com Vitor Ramil. Acompanhado pela Orquestra da Ulbra, sob a regência do maestro Tiago Flores, o encontro consagra uma sensação sempre confirmada: Porto Alegre e Vitor Ramil foram feitos um para o outro.

Quando eventos desse porte disponibilizam atrações em palcos ao ar livre — facilitando o acesso à cultura — cumprem um papel social fundamental. E, nesse caso específico, o povo responde da melhor forma: lotando a Praça. Nesse formato de show, com orquestra, Vitor Ramil apresenta um modelo já conhecido de outras apresentações. No setlist, temos um retrospecto de clássicos pinçados de sua discografia. “Ramilonga”, “Foi no Mês que Vem”, “Deixando o Pago”, “Milonga das Sete Cidades” e “Estrela, Estrela” são canções que funcionam nesse formato de música popular com um blend erudito.

Mango” é um dos pontos altos da noite, quando o poema de João da Cunha Vargas e a melodia criada por Vitor — a meu ver — cunham uma das músicas mais representativas da cultura rio-grandense. É difícil algo soar mais fidedigno ao gaúcho autêntico do que isso; muitas vezes, nem os livros de história conseguem alcançar tal dimensão. 

Alguns temas parecem rejuvenescidos. É o caso de “Joquim” e “Loucos de Cara”, músicas que, mesmo atravessadas por quatro décadas, trazem frescor e um sopro poético inexistente na MPB de hoje. Ao final, “Semeadura” incendeia a Praça da Matriz, pois a necessidade de preservarmos e fortalecermos nossa essência sul-americana precisa ser reafirmada e constantemente lembrada, como o próprio Vitor diz, em alto e bom tom:

Soberania para a América Latina”, ele fala.

"Soberania para a nossa cultura", eu proclamo.

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