Woodstock 50 anos / 1º dia - 15 de Agosto de 1969

Divulgação
Por Márcio Grings

Em agosto, o mundo relembra os 50 anos de Woodstock, o maior e mais celebrado festival de todos os tempos. O evento aconteceu em uma fazenda na cidade rural de Bethel, Nova York, de 15 a 18 de agosto de 1969, e reuniu parte dos mais importantes artistas do cenário musical da época. Um dos grandes lances de Woodstock, é o fato de que pela primeira vez, o público passa a ser protagonista em um evento pop, ganhando tanto destaque quanto os artistas. Woodstock foi, sem dúvida, um dos principais marcos da grande revolução jovem da época, uma onda de transformação musical, política e social.

Para comprovar as máximas sobre Woodstock, basta ver o filme ou ouvir o disco. O que seria de
Woodstock sem toda aquela massa humana que causou um dos maiores congestionamentos da história de Nova York? Liberdade sexual, ativismo político, o espírito contestatório da época, livre consumo de drogas e toda a apoteose hippie foi documentada durante os três dias de paz, amor e música - ou "Peace, love & Music", como assina a frase promocional
impressa nos cartazes de divulgação.

E a partir de hoje, sob o ponto de vista do documentário dirigido por Michael Wadleigh (já que não estávamos por lá), o Memorabilia relembra dia a dia, detalhes de um dos eventos musicais mais importantes da história. Confira , em ordem cronológica, quem passou pelo palco na abertura de Woodstock, na sexta–feira, 15 de agosto de 1969:


Ritchie Havens

Swami Sactchidananda

Country Joe McDonald

John Sebastian

Sweetwater

Bert Sommer

Tim Hardin

Ravi Shankar

Melanie

Arlo Guthrie

Joan Baez


Pontualmente às 17h, o primeiro dia de apresentações começa com o magnetismo de Richie Havens. Ele não estava na 'rela' como o nome de abertura. Isso aconteceu porque o Sweetwater, grupo destinado a desempenhar a tarefa, continuava preso no monstruoso engarrafamento na estrada de acesso ao festival. Tim Hardim se trancou nos camarins e recusou-se a pisar no palco. Richie topou! Sua mistura de folk & soul ganhou o público em canções como "Freedom", que acabou se tornando um dos emblemas da carreira de Havens. Logo depois, o guru indiano Swami Sactchidananda, lançou sua benção nas quinhentas mil cabeças ripongas. O Sweetwater não chegava, Country Joe McDonald foi convidado a fazer o seu debute como artista solo (ele só se apresentaria oficialmente no domingo). Com um violão emprestado a tiracolo, McDonald coloca o público pra cantar na música, "I Feel Like I’m Fixing To Die', uma inteligente sátira a guerra do Vietnã. 

Foto: Henry Diltz
John Sebastian estava lá apenas para curtir. Seu nome não constava no cartaz. Chip Monk (gerente de palco e locutor oficial de Woodstock) perguntou a Sebastian se ele gostaria de entreter o pessoal com algumas canções. Ele topou. Com o violão de Tim Hardin Sebastian fez sua parte como genuíno representante da geração flower power. Falando pausadamente entre uma música e outra, o músico conta histórias e projeta um mundo onde as pessoas vivem em tendas e são felizes. E da-lhe blá blá blá hippie! O público adora! Afinal o Sweetwater chega, não antes de John Sebastian ser ovacionado. A audiência curtiu essa leva inicial de atrações sem ter a mínima ideia do sufoco que rolava nos bastidores.

Nesse dia reservado ao folk, nomes desconhecidos ou secundários também se apresentaram. Entre eles estão o próprio Sweetwater, que havia lançado um recente álbum de estreia, e artistas como Bert Sommer - ex-vocalista do Left Banke e a cantora Melanie, utilizados como tapa-buracos, praticamente aquecendo o pessoal antes das grandes atrações. Ninguém reclamou, pois nessa mesma noite, não podemos esquecer dos talentosos e ‘mucho-loucos’, Tim Hardin, (morto no início dos anos 1980 de overdose) com seu folk poético existencialista, além de Arlo Guthrie (filho do lendário Woody Guthrie), um dos grandes ídolos de Bob Dylan. 

No filme, é muito engraçada a seqüência de imagens durante a execução de "Comin’ Into Los Angeles". Intercalados com imagens de Guthrie, visivelmente entorpecido e muito a vontade no palco, também são revelados vários takes do público fumando maconha a céu aberto, enquanto um policial observa a audiência na maior tranqüilidade, chupando seu inofensivo picolé. A presença do simpático e carismático músico indiano Ravi Shankar, ajuda a manter o espírito messiânico do festival. A noite termina com a apresentação da cantora Joan Baez. Grávida de seis meses, a musa do folk de protesto, fala de seu marido na época, David Harris, um importante opositor da guerra do Vietnã, que estava preso em virtude de seu ativismo. Entre várias canções, dispara pérolas como "Drugstore Truck Driving Man", ode de Gram Parsons contra a caretice da América redneck.

Abaixo, dois momentos de Woodstock, na sexta, 15 de agosto de 1969. Primeiro Country Joe McDonald e seu coro de milhares de vozes, em "I Feel Like I’m Fixing To Die".


Veja também o lendário drug take ao som de Arlo Guthrie, em "Come Into Los Angeles".

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