Rock'n' Blues Food Station, 29 de Março de 2019

Foto: Pablito Diego
No Palco, dois estreantes na cena musical santa-mariense - Jagu e Soul Glad

Por Márcio Grings Fotos Pablito Diego (Há Cena)

A segunda edição do Rock and Blues Food Station colocou o bloco na rua nesse dia 29. O evento ocorre no amplo espaço externo do Neo Autoposto (Av. Dores, próximo a rótula do Fórum). O local  está tomado por trailers que oferecem ao público várias opções em gastronomia, bebidas artesanais e toda infraestrutura necessária para curtir o final de semana entre amigos ou em família (banheiros, espaço kids, loja de conveniência). A entrada é franca. Dentre as atrações musicais que passam pela edição Março 2019 do RBFS, o destaque desta primeira noite foram as estreias. 

Jagu. Foto: Pablito Diego

Às 20h30, o baixista Jagu promoveu o première do seu empreendimento solo. Muitas vezes a solução para colocar um projeto na rua não está em encontrar os parceiros para formar uma banda, na verdade esse pode ser inclusive o problema. No caso de alguns artistas do nosso tempo, na falta de paridade e afinidade artística, o desafio está em buscar opções tecnológicas para se transformar num #onemanband. Foi o que fez Vinicius de Medeiros Corrêa, o Jagu. Baseado nessa intenção, o músico mistura inspirações, acrescenta criações próprias e reinventa clássicos do rock das décadas de 1980/90 e 2000, canções do Cure, Deftones, Alice in Chains, com destaque para a releitura de "Love Will Tear Us Apart", uma das peças máximas da obra do Joy Divison, em versão personalíssima. Um desfile de loopers, delays e modulações, desenhos artísticos que emprestam dramaticidade, plasticidade, e constroem uma rara intervenção musical, repercutindo numa atuação fora da curva do artista solo com um instrumento. Após um estranheza inicial, Jagu foi a grande surpresa da noite de estreia da segunda edição do RBFS. "Eu costumo comparar o meu som com a IPA (cerveja artesanal). Um tanto denso no início, mas logo depois tu consegue curtir o sabor. Daí o cara fica refletindo por um tempo, sacando essa experiência", disse Jagu logo após descer do palco. 

Jagu - sua caixa de ferramentas. Foto: Márcio Grings 
A cena do blues santa-mariense acaba de ganhar uma nova banda. A Soul Glad abriu a primeira página de sua história na noite desta sexta-feira, não apenas remexendo na parte de cima do baú. Na verdade, muitas vezes a rapaziada colocou seus dedos nos cantinhos mais inusitados. E com os dedos melados dessa experiência (Stick Fingers?!) surgem reinvenções para temas do Grateful Dead, Double Trouble, Arc Angels e Chris Stapleton. E claro - lá estão também os velhos standards, músicas de BB King, Stevie Ray Vaughan, Freddie King e Derek and The Dominos. Na formação, Marcel Coelho (guitarra e voz),  Guilherme Dutra (guitarra e voz), André Garcia (baixo e voz) e Fernando Dotto (bateria), além da participação de Gabro, voz em duas canções, entre elas uma versão de "House of Rising Sun". Destaque para a dupla de guitarristas e as alternâncias no comando das ações. Marcel 'Pico' Coelho certamente irá perder sua timidez como vocalista, questão de tempo, assim como também senti falta de ouvir vozes de apoio nos refrões. Bacana mesmo foi perceber a vibe de André Garcia, um novo e talentoso baixista que aparece em cena, e que ainda brilha como vocalista em "Onze Horas da Manhã", um dos cavalos de batalha de Celso Blues Boy, ícone maior do blues tupiniquim. 

Foto: Pablito Diego
Neste sábado, segue o RBFS, dia/noite de ver Felipe Quadros, Harvest Moon e Kingsize Blues. Apresentações começam às 17h. Nos vemos no Rock and Blues Food Station.

Foto: Pablito Diego

Foto: Pablito Diego

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