Review: Glenn Hughes - a autobiografia

GH em PoA (28/4). Foto: Ton Muller
Por Márcio Grings

Glenn Hughes acaba de concluir seu tour sul-americano que trouxe até Chile, Argentina e Brasil o show Classic Deep Purple Live. Depois de sua última apresentação (ontem, 1) em Vila Velha (ES), o músico já retornou para Los Angeles, cidade em que vive desde os anos 1980. O próxima perna da turnê começa em junho (7), em Solvesborg, Suécia. Durante sua passagem por Porto Alegre (28/4), em apresentação ocorrida no palco do Opinião, tive a oportunidade de participar do Meet & Greet promovido pela Abstratti, promotora do evento na Capital. 

Leia review da passagem de Glenn Hughes Performs Classic Deep Purple Live pelo Opinião

Foto: Homero Pivotto Jr
Ao lado de cerca de outros vinte fãs, pude também trocar um abraço com o artista e autografar minhas cópias em LP de "Burn", "Come Taste the Band" e "Made in Europe". Os participantes do evento ganharam exemplares da autobiografia de Hughes (escrita em parceria com o o jornalista britânico Joel McIver), além de um copo personalizado da turnê. 

Emocionado por encontrar um personagem mitológico da minha adolescência, ao agradecê-lo pelos autógrafos, Hughes prontamente me questiona: "Não quer que assine o livro também?"Ao nosso lado, seu tour manager, Carl Swann, que me pergunta se já assisti alguma apresentação de Hughes. Digo que apesar de ter visto o Deep Purple duas vezes, passei batido pelos outras duas vezes que Glenn esteve no RS: "Então prepare-se", avisou Swann. 

Recentemente lançada no Brasil pela EN7 Press, editora 'especializada' em biografias musicais, "Glenn Hughes - A Autobiografia" parece ter sido lançado às pressas, oportunizando a passagem do ex-Deep Purple pelo país. A tradução é de Charlie Curcio e Eliel Vieira. Vamos aos detalhes positivos: sensacional observarmos o ponto de vista de Glenn de como sua vida de música foi se desenrolando. Das primeiras bandas na cidade natal do músico, até a explosão com o Trapeze, grupo ao qual se tornou respeitado tanto como vocalista, quanto como instrumentista, além de conhecermos vários detalhes de sua passagem meteórica pelo Deep Purple. Após o ocaso do Purple, lançou um elogiado álbum solo;  forjou parceria com o guitarrista Pat Thrall (Meat Loaf/Asia); gravou com John Lynn Turner; num álbum controverso, deixou sua marca no Black Sabbath; tocou com Gary Moore; ao lado de Joe Bonamassa brilhou (e ainda brilha) no Black Country Communion. Além de todos os enlaces e projetos, sacolejado por um turbulento espírito leonino - hiperativo - até agora já empilhou catorze álbuns solo distribuídos ao longo das últimas quatro décadas. Seu preferido é "Soul Mover", lançado em 2005.    

Reprodução
Em primeiro lugar, a frase "sexo, drogas e rock'n'roll' foi criada sob medida para a definir a trajetória de Glenn. Os depoimentos mais impressionantes são os relativo ao seu abuso em drogas. Já nas primeiras páginas da autobiografia, McIver nos avisa: "Este livro contém informações sobre vários traficantes de drogas, mafiosos e gangsteres. Algumas dessas pessoas adoráveis estão atualmente encarceradas, mas muitas ainda estão em liberdade e fazem negócios em uma cidade perto de você. Consequentemente, os nomes foram alterados ou omitidos, de modo que Glenn e eu não fossemos abatidos". Livre das drogas há vários anos, ao longo do livro, Glenn Hughes também nos conta com requinte e muito bom humor diversas de suas presepadas e aventuras proporcionadas por uma visão deturpada por essa vida desregrada. E também há muitos relatos sobre os períodos de baixa de sua carreira, como por exemplo os anos em que lutou contra a balança, a derrocada financeira nos anos 1980/90, sendo salvo pelo gongo dos direitos autoriais que ainda recebe pelos álbuns do Purple, ou quando foi ajudado por amigos como David Coverdale e Ronnie James Dio. Ele ainda fala sobre seus relacionamentos e declara seu amor as três mulheres de sua vida: a avô, a mãe e também sua esposa, Gabi. 

Durante o Meet & Greet no Opinião, ao vê-lo receber cada fã sem pressa e sempre com um sorriso no rosto, podemos compreender perfeitamente essa postura e intenção ao ler o trecho de sua biografia em que narra o encontro com Gordon Waller, um dos integrantes do duo pop Peter & Gordon. Confira abaixo:

"Saímos em turnê [com o Deep Purple]. O primeiro show foi em Copenhague e foi incrível. Lars Ulrich, mais tarde do Metallica, estava lá com seu pai e ele era um grande fã do Purple. [Anos depois], ele me disse que fui o único que lhe deu um autógrafo. Lembro-me quando eu era criança, uma vez pedi a Gordon Waller, de Peter & Gordon, para assinar meu livro e ele me disse para ir me foder: eu jurei que se eu estivesse naquela posição e fosse uma estrela, eu nunca faria aquilo. E nunca fiz, eu dou todos os autógrafos até hoje".   

O balde de água fria da publicação fica por conta da tradução pífia, repleta de erros ridículos e de equívocos infantis. Tradução ao estilo "Google Tradutor". Caso você tenha condições, leia em inglês. Agora, se você tiver paciência para concatenar o quebra-cabeças da versão em português da autobiografia (que foi o meu caso), então a viagem já vale. Para os mais atentos, os erros já começam a surgir na capa da publicação, ao ler a frase de apoio ao título: "Do Deep Purple ao Black Country Communion". Ah, tenha a paciência? Glenn Hughes merecia mais.

Foto: Reprodução

               

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