sábado, 7 de abril de 2018

20 anos de Bob Dylan no Opinião: vídeo, setlist em áudio e reportagens especiais no Memorabilia

Dylan no Opinião. Foto: Adriana Franciosi
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Por Márcio Grings Colaborou Cristiano Radtke

Desde a última terça-feira (3) até hoje, 7 de abril de 2018, o Memorabilia promoveu um resgate da segunda passagem de Bob Dylan por Porto Alegre. Antes, o músico norte-americano já havia tocado no Gigantinho, em 14 de agosto de 1991, e ainda retornaria uma terceira vez, no Pepsi On Stage, em 24 de abril de 2012. No entanto, por quais motivos o show de 1998 é elencado não apenas como o melhor show de Dylan na Capital gaúcha, mas também como um dos melhores shows na vida de muito dos entrevistados para essa matéria?


"Com o passar dos anos essa apresentação ganhou status de lendária, a tal ponto que por diversas vezes conversei com pessoas sobre esse show, e que ainda assim tomam a passagem de Dylan no Opinião como lenda urbana. Talvez o fato do bar ter uma capacidade reduzida para o porte de um artista desta magnitude (capacidade máxima de 1700 pessoas). São peculiaridades que explicam em parte a incredulidade de alguns quanto a aura mítica que esse show merecidamente tem. E se depois de todo esse tempo a segunda vinda  de Bob ainda desperta as melhores lembranças e emocionados depoimentos de quem estava lá, tudo isso apenas revela o caráter histórico que o show no Opinião jamais vai deixar de ter. Plenamente justificado", reflete Cristiano Radtke, colaborador do Memorabilia nessa série especial.

Leia o review da apresentação de Bob Dylan em 7 de abril de 1998 

“Esse show não mudou apenas minha vida, mas também de todas as pessoas ligadas ao Opinião Bar e Produtora. Foi um divisor de águas. E assim um pequeno bar/produtora de eventos da Cidade Baixa se torna uma empresa que vira referência nacional. Além do mais, foi fundamental para nos  abrir centenas de portas. Quando íamos apresentar a casa pra qualquer artista, bastava dizer o seguinte: Bob Dylan tocou no nosso palco! Alguns não acreditavam. Por iniciativas como essa, passei a acreditar que realizar sonhos às vezes pode ser um bom negócio”, relevou o empresário Alexandre Lopes, um dos proprietários do Opinião, e principal responsável pela segunda vinda do músico ao RS. Leia entrevista com Alexandre Lopes 

Foto: Adriana Franciosi
"Em qualquer lista séria [dos melhores shows] essa apresentação sempre estará incluída", nos contou Eduardo Bueno, o Peninha. O jornalista contabiliza no seu caderninho setenta e uma apresentações do bardo norte-americano, e não apenas isso: em 1991 seguiu como convidado do próprio Dylan no entourage da então recente Never Ending Tour. E como integrante no ônibus que transportava a turnê pela Europa, cruzou por países como Itália, Eslovênia, Croácia, Sérvia e Hungria, assistindo shows do cantor norte-americano em  várias cidades, entre elas Milão, Bolonha, Liubliana, Zagrev, Belgrado e Budapeste. Mesmo com todo esse repertório, o show na sua cidade natal continua como um dos melhores entre suas lembranças. Leia entrevista com Eduardo Bueno

Para Marcelo Nova, líder do Camisa de Vênus, o show do Opinião não era uma apresentação inédita, pois já havia visto de perto shows anteriores, em circunstâncias e locais variados. Apesar disso, Nova diz que “nenhum deles foi melhor que o de Porto Alegre”. De acordo com o músico, um dos principais motivos que diferenciam esse show dos outros que ele viu de Dylan foi “a proximidade que se tinha com o palco, do qual eu estava distante não mais do que um metro e meio. Você não consegue assistir um show nessas circunstâncias na maioria das cidades do Brasil ou fora daqui”. A partir dessa proximidade com o palco, “você vê a sujeira das unhas, o vinco da face, você vê o suor escorrendo pela testa, você vê quando o guitarrista quebra uma corda e aí pensa 'o que fazer neste momento?', essas são minúcias e detalhes cuja intensidade normalmente não se percebe quando se está mais distante”, disse. Leia entrevista com Marcelo Nova

Foto: Adriana Franciosi
Durante o show, o radialista Cagê Lisboa disse que ficou tão próximo do palco que suas mãos estavam praticamente ao alcance das botas de Dylan. "Foi emocionante!". E como não seria... Ele destaca "Love Sick" como um dos grandes momentos do show: "Na época, como era um dos temas do 'Time Out of Mind', estávamos tocando direto esse som na Ipanema. Ouvi-la ao vivo me desarmou", relatou ao Memorabilia. Leia entrevista com Cagê Lisboa

A imprensa gaúcha valorizou a segunda passagem de Bob Dylan pela Capital gaúcha. Jornais como Correio do Povo e Zero Hora publicaram várias matérias especiais abordando a segunda vinda do aretista ao RS. No dia do show, Marcelo Ferla assina matéria em ZH  e avisa os leitores: "Deixem o passado para as biografias e abram os ouvidos para o presente de Dylan". 20 anos depois, por telefone, Ferla chama a atenção que a partir do álbum em destaque nesse tour, "Time out of Mind" (1997), Dylan retornou a sua melhor forma, fazendo desse recorte de tempo uma época em que suas apresentações enunciavam não apenas um artista disposto a dar o melhor de si. O público que esteve no Opinião, por exemplo, ainda teve a oportunidade de conferir um repertório que incluiu novas canções de peso, temas como "a bela e densa Love Sick" e "Cold Irons Bound, um petardo sônico e num volume detonador". Saiba mais sobre "Time Out of Mind"

Já o jornalista Paulo Moreira, na época repórter credenciado pelo Correio do Povo, não deixa dúvidas sobre aquilo que viu e sentiu: "Foi um dos melhores shows da minha vida. Assisti do mezanino do bar, a cerca de cinco metros do palco, ao lado do Peninha. Ficamos conversando e discutindo o repertório o tempo todo. Leia mais depoimentos de Marcelo Ferla e Paulo Moreira.  

Veja vídeo de reportagem da extinta TV COM, únicas imagens captadas na noite do evento. Contém entrevistas com Moacyr Scliar, Vitor Ramil e Marcelo Nova. Quem assina é a repórter Luciana Kraemer. As imagens são do cinegrafista Eduardo Mendes.



E vários fãs também se movimentaram do interior do RS rumo ao show no Opinião. Um deles foi Maurício Cardoso, o Trovão. Ele veio da região de Santa Maria, centro do estado: "Naquele 7 de abril peguei o ônibus às oito da manhã e ao meio dia estava na capital. Bem antes do show, eu já estava na frente do Opinião. Tinha esperança de encontrar Dylan pelas cercanias. Que tal? Um Encontrei meu velho amigo Maurício Rigotto. Na hora do show, ao nosso lado, Marcelo Nova com seu filho no colo. Estávamos a um metro de distância de Dylan, podíamos ver o suor escorrendo do seu rosto. Ele nos encarava, dançava e sorria, enquanto dedilhava a guitarra. Que noite memorável", relembra Trovão. 

O já citado Maurício Rigotto, conhecido como Morto, veio do Norte do estado, de Passo Fundo: "Parece que foi ontem que assisti o concerto de rock mais memorável de minha existência. Naquele final de março de 1998, rumei para Buenos Aires para assistir pela segunda vez um show dos Rolling Stones. As três primeiras apresentações tiveram como abertura a banda argentina Viejas Locas e a cantora norte-americana Meredith Brooks. Dylan ainda estava em turnê pela Flórida e não estaria presente. Ficou acertado que ele abriria apenas o quarto e o quinto show dos Stones na capital portenha, nos dias 04 e 05/04. Infelizmente não pude presenciar esse encontro. Voltei da Argentina extasiado com o espetáculo dos Stones, mas um pouco frustrado. Não vi Bob Dylan.  Cheguei em casa no domingo e decidi que na terça-feira estaria em Porto Alegre para tentar ve-lo no Opinião. Digo tentar porque os ingressos estavam esgotados há dias e eu não tinha o meu". 

Foto: Opinião Produtora (divulgação)
Na terça-feira, 7 de abril, Morto passou o final de tarde, início de noite negociando com os cambistas. Conseguiu entrar no Opinião apenas 15 minutos antes do início do espetáculo! "Avistei na primeira fila, bem defronte ao microfone de Dylan, meu amigo Maurício Cardoso, que estava ao lado de Marcelo Nova. Resolvi tentar chegar até eles e  para minha surpresa consegui me posicionar a um metro de distância do pedestal do microfone. Em seguida as luzes se apagaram e Bob Dylan começou a apresentação. Assisti o show debruçado no palco. Se  eu esticasse meus braços, poderia até tocá-lo. Presenciei dezenas de outros shows históricos, inclusive voltei a ver Dylan mais quatro  vezes, mas esse show no Opinião ainda é o mais impactante que já vi na vida, e creio que nada irá superar essa noite gloriosa". O relato de Maurício Cardoso é a forma mais apaixonada de terminar essa série "20 anos de Bob Dylan no Opinião". 

Não há registro em áudio da apresentação em 7 de abril de 1998. Não que saibamos disso. Cristiano Radtke é o responsável pela mágica no player abaixo. A gravação que disponibilizamos não se trata do show de Porto Alegre, mas de uma recriação do setlist que Dylan tocou nessa noite, compilada de alguns de seus shows em 1998, cujas gravações foram disponibilizadas pelo site "Expecting Rain", uma das mais fidedignas fontes de informação que há na internet sobre Bob Dylan. Em sua maioria, essas gravações são amadoras e foram feitas da plateia por fãs, o que explica as diferenças na qualidade de áudio de uma música para outra.

De qualquer forma, o material ilustra parte das ações daquela noite de 7 de abril. Assim, as pessoas que não estavam nesse show podem ter uma ideia de como foi, e as que estavam lá também podem relembrar essa noite histórica.  Satisfação garantida!


Confira o setlist - Bob Dylan - Porto Alegre, 7 de abril de 1998

To Be Alone With You
I Want You
Cold Irons Bound
Positively 4th Street
Silvio
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White Dove
Don't Think Twice, It's All Right
Tangle Up in Blue
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Stuck Inside in Memphis with the Mobile Blues Again
This Wheel's on Fire
Highway 61 Revisited
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Love Sick 
Rainy Day Women # 12 & 35 

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