sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Gérson Werlang - Zeppelin Bar, 14 de Setembro de 2017

Gérson Werlang, Vinícius Brum e Vivian Reis. Foto: Márcio Grings 
Tratando-se de álbuns, uma das maiores dificuldades do mercado independente, certamente passa por peculiaridades na distribuição e manutenção de interesse pelos trabalhos lançados. Por mais que os pequenos (e importantes) selos deem suporte e apoio aos artistas - é o caso do excepcional trabalho do 180 Selo Fonográfico-, muitas vezes a lupa de um público afim não se aproxima ou amplia esse olhar em diversos lançamentos de qualidade. Todos sabemos que ao optarmos por uma posição oposta ao quilate duvidoso da música das grandes massas, a guerra é árdua, e sempre será. 

Fernando Perusso. Foto: Márcio Grings
Como explicar o fascínio do público europeu ou dos ouvintes japoneses pelo trabalho de Gérson Werlang (faça uma pesquisa no Twitter) e a total omissão da mídia do centro do país com o segundo álbum solo do músico santa-mariense? Fazer música por aqui, e tratado-se de um gênero de nicho como o rock progressivo, ainda linkado erroneamente apenas a década de 1970, passa a ser teste de sobrevivência. E se Gérson lançou "Sistema Solar" em 2015, no formato de CD, agora em setembro de 2017, acaba de relançá-lo em vinil, e não apenas isso: também em várias plataformas digitais, entre elas o Spotify. Só pelo fato de espaçamento entre os formatos e seus consecutivos lançamentos, mesma que seja uma estratégia involuntária, o resultado desse hiato acaba por gerar um novo interesse por "Sistema Solar".

Ouça o álbum completo abaixo.  



"Sistema Solar "também está disponível para venda on-line nos links a seguir (CD, LP), e em Santa Maria na loja Disco Voador e na Cesma. E dois anos depois, novamente com residência fixa na cidade localizada no Centro do RS, Gérson apresenta também sua nova banda local. E fica muito claro que o músico foi muito feliz em suas escolhas. Vinícius Brum (baixo e voz), Fernando Perusso (teclados e flauta), Vivian Reis (violino) e Pablo Castro (bateria). Esse não foi o time que gravou o álbum, mas ao vê-los (ouvi-los) ao vivo, a impressão que temos é que as peças se encaixam. 

Com postura de baixista de hard rock, Vinícius Brum deixa o som do baixo mais vigoroso, além de colaborar com uma segunda voz que muda positivamente as feições sonoras das canções. Pablo Castro, um dos melhores bateristas surgidos nos últimos anos em Santa Maria, joga sempre em favor do tema, mas não deixa de atuar como um típico instrumentista performático do gênero. Compenetrado, como um alquimista a materializar poções mágicas, Fernando Perusso fornece todos os climas com os teclados (eventualmente com a flauta), assim como o violino de Vivian Reis nos conecta ao som erudito, um cruzamento permanente do rock progressivo. Há coesão, é uma banda bonita de ver ao vivo e funciona como força motriz para a temática musical proposta por Werlang. 

Entre os destaques do show, temas de "Sistema Solar" como "Netuno", "Passeio na Serra" e "O Último Tango em Plutão", além de revisitações do trabalho da Poços & Nuvens (banda ao qual Gérson capitaneou por cerca de três décadas) e canções de "Memórias do Tempo", seu primeiro álbum solo.  

Foto: Márcio Grings 
Zeppelin com casa cheia que viu um dos melhores shows de Gérson Werlang nos últimos tempos, prenúncio de um novo time que pode impulsionar a música desse artista a preparar novos voos para breve. Quem viver verá.     

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