Pylla C14, Tapera, 19 de agosto de 2017

Foto: Camila Gonçalves
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Texto Márcio Grings Fotos: Camila Gonçalves e Fabiano Fogiatto

Nascido em Marau, no Planalto Médio do Rio Grande do Sul, ainda muito jovem Edson Luiz Kroth se tornou um dos filhos adotivos de Tapera (RS), cidade situada na microrregião do Alto Jacuí, e local onde passou parte de sua infância, adolescência e juventude. No entanto, esse enlace perdura até hoje. Afinal, Tapera é cidade onde moram quatro de suas irmãs e a mãe, Dona Dalva. E por isso, além de todas as vivências e amizades, ele ainda mantém fortes vínculos locais. Porém, é muito provável que poucos habitantes da pequena Tapera pudessem imaginar que a cidade daria luz a um dos roqueiros mais importantes do RS. Tanto que hoje já é de domínio público: desde que o artista absorveu o homem, Pylla acabou com Edson, para sempre... Como diria Freddie Mercury em "Bohemian Rhapsody": "Mama, just killed a man".

Foto: Camila Gonçalves
E esse cenário de emoção, comoção e conexão com suas raízes foi uma das marcas da apresentação de Pylla Kroth e sua Carbono 14 no último sábado (19), no Centro de Eventos de Tapera, um local com palco e estrutura para receber atrações de mais variados quilates e modalidades artísticas, mas que certamente abriu seus braços de forma muito carinhosa para receber o filho pródigo ilustre que sistematicamente a casa retorna. E Tapera ama Pylla. A produção local, cuidadosa em todos os processos do evento,  deu show de profissionalismo.    

Foto: Fabiano Fogiatto
Depois da abertura das bandas locais IN3 Rock Acústico, The Regular Citizens e Jack Daniel's, às 23h40 a atração principal da noite inicia sua apresentação. Tudo começa com o número instrumental composto por Henry Purcell em memória a Rainha britânica Mary II, em 1695. No entanto, quando o cineasta Stanley Kubrick a colocou na trilha sonora do filme “Clockwork Orange” (Laranja Mecânica/1971), foi nesse momento que a antiga peça musical ficou estritamente ligada à cultura pop. E já que a noite é solene, a composição de Purcell ganha novo arranjo pelas mãos do tecladista Sávio Werlang (Transneptunia), músico que fez sua estreia como sideman na Carbono 14

Eis um número incidental apropriado que antecipa a dramaticidade da trinca de ases que está na abertura de “Lá de volta outra vez”, quarto CD solo de Pylla lançado em julho de 2016, e que também se enfileira no setlist das apresentações de Pylla Kroth nos últimos meses. “Visão Turva”, “Na Real” e “Fuligem”, temas que refletem o ressurgimento de Pylla e C14 como um dos nomes mais importantes do nosso rock.

Veja alguns segundos da abertura (captação Camila Gonçalves).



Já “Novo Romântico”, faixa que conquistou a programação de várias rádios do RS, se mantém como último elo inédito do show com o novo álbum. “Já Era”, canção que foi regravada do álbum “Bruxos Rosa” (2005), é um daqueles temas que já estão na boca do povo há tempos.  O refrão antibelicista ecoa pelo Centro de Eventos: “Fogo neles / Bala neles / Ferro neles / E nós?”. Visivelmente emocionado, na plateia, além das cinco irmãs do cantor, também estava lá Dona Dalva, sua mãe de 83 anos. Logo depois, Pylla chama ao centro do palco a nova vocalista de apoio da C14, a cantora e pianista paulista Gabriela Lusvarghi, artista que também faz sua estreia no show em Tapera. Em homenagem a mãe, e com a ajuda de Gabriela, Pylla resgata a capela a canção popular “Se essa rua fosse minha”, contando ainda com o coro da audiência. Emocionante! Logo depois, Pylla anuncia o momento solo do sobrinho, Leo Mayer, menino prodígio de Tapera.

Foto: Fabiano Fogiatto
“Brisa, brasa, blue” é o blues da vida de Pylla, outra gema faiscante do CD “Bruxos Rosa”, uma canção que também dá margem ao improviso e território onde brilha o talento de Leo Mayer, jovem guitarrista que a cada nova apresentação mostra seu crescimento não apenas como instrumentista, mas também como perfomer no palco. Ainda na Carbono 14, e juntos há cinco anos nessa formação, completam o time Marcelo Sartori (baixo) e Cezar Nogueira (bateria), além da frequente colaboração de Alexandre 'Pinttoo' Hoehr (voz de apoio e violão). E Cezar Nogueira também tem momento solo da noite, mostrando a plateia por que há 8 anos reina como o momem das baquetas da C14.   

Leo Mayer. Foto: Camila Gonçalves
“Cidade do Rock” é um som que nos impulsiona ao rock básico e sem rodeios. Letra festiva advinda da extinta banda 220 Volts, e plataforma utilizada pelo vocalista para dar voz a sua forma de fazer rock’n’roll. Em Tapera não é diferente, o público corresponde a vibração que tremula forte do palco. No encerramento, um momento sempre esperado e cultuado nos show de Pylla há décadas. Composta no início dos anos 1990, “Saudade” surgiu não apenas como quinta faixa do Lado A do segundo álbum da Fuga, “Crime ao vivo” (1993). Ela é uma espécie de hino de uma geração. Muito comum perceber a emoção que se repete a cada nova execução do tema, ganhando o status de carimbo indispensável nas apresentações da Pylla C14. É o instante do show em que os celulares iluminam o auditório, quando o público registra seu momento íntimo com “Saudade”.

Foto: Fabiano Fogiatto
Ao final, sob protestos da plateia, Pylla e banda se retiram do palco por um breve instante. Retornam aclamados para o bis. Para isso, aplausos e sorrisos quando os fãs reconhecem um dos principais cavalos de batalha da Fuga, “Sentimento Perdido”, canção que crava a estaca como protagonista a frente de uma época, como também emancipadora do sotaque gaúcho no rock do interior do Rio Grande do Sul: “Hey tu, que vive a vida / Tá na hora de acordar”.  É quando parte do público se levanta das cadeiras e se espreme em frente ao palco. 1 da manhã. Findo espetáculo. Autógrafos, bate papo com fãs, fotos e todo aquele carinho no ídolo.   

Sim, a cada novo show de Pylla e sua Carbono 14 desafiam o teste do tempo, como libelos solitários do hard rock no Centro do RS. Pois então eu levanto a lebre: não acredite em tudo que você lê nos livros de história ou ouve nas rádios, pois se alguém se propõe a contar a história do nosso rock e não escreve o nome de Pylla Kroth, isso significa que estamos lendo um tomo inconfiável. "A César o que é de César". Na noite do sábado 19 de agosto, Tapera celebrou o maior nome do rock advindo e ainda em atividade no interior do Rio Grande do Sul.    

Dona Dalva, mãe de Pylla, homenageada pelo artista. Foto: Camila Gonçalves
O artista e sua produção agradecem a Prefeitura de Tapera, Departamento de Cultura e Turismo (Kelly Lopes, você foi demais!); Griebler Corretora (Rafael Griebler, sempre presente nos projetos da Pylla C14);  Regional Supermercados (suporte nas bebidas e alimentação, Claudete, somos seus fãs!); Sandro Anghinoni (o melhor assador do mundo!), Família Kroth (por todo o amor, carinho e engajamento em todas as pontas); Hotel Walença e ao público que mesmo em noite de tempo ruim não deixou de prestigiar o 1º Rock N' Tapera.

Equipe de apoio Pylla C14: Roadie: Mauro Defunto; Técnica de som: Cassiano Rathke; Técnico de palco/luz: Sandor Melo; Fotógrafa/auxiliar de produção: Camila Gonçalves; Fotógrafo/Filmagem: Fabiano Fogiatto; Direção Musical: Leo Mayer/Pylla Kroth; Produção executiva: Márcio Grings (Grings - Tours, Produções e Eventos).

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Setlist Pylla C14 - Tapera, 19 de agosto de 2017

01 Intro: Tema do filme Clockwork Orange (Henry Purcell)

02 Visão Turva
03 Na Real
04 Fuligem
05 Novo Romântico
06 Se Essa Rua Fosse Minha 
07 Solo Leo Mayer
08 Já Era
09 Brisa Brasa Blue
10 Solo Cezar Nogueira
11 Cidade do Rock
12 Saudade 

Bis

13 Sentimento Perdido

Foto: Fabiano Fogiatto
  
Foto: Fabiano Fogiatto

Foto: Fabiano Fogiatto

Foto: Fabiano Fogiatto

Foto: Fabiano Fogiatto

Foto: Fabiano Fogiatto
Foto: Fabiano Fogiatto
Foto: Fabiano Fogiatto
Foto: Fabiano Fogiatto
Foto: Fabiano Fogiatto
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Foto: Fabiano Fogiatto
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Foto Fogiatto

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