Liniker & Os Caramelows - Santa Maria, 24 de Agosto de 2017

Foto: Ana Bittencourt

Há cerca de dois anos, um amigo que mora em Brasília, o jornalista Maranhão Viegas, me mandou um vídeo de um figura artística emergente que o impressionara. Era Liniker,  cantora paulista que hoje pode ser inserida num subgênero musical batizado de MPBTrans, onde ainda se inserem nomes com Pablo Vittar, Raquel Virgínia, Assucena Assucena, MC Linn, Gloria Groove, entre outras. Só que no caso da artista que passou nesta quinta-feira (24) pelo Centro de Eventos do Itaimbé Palace Hotel, pulando a necessidade de um carimbo ou rótulo, estamos falando de uma cantora que acima de tudo nos entrega um espetáculo digno dos grandes palcos. Que me perdoem as outras. A prova disso é que Liniker e os Caramelows se apresentam no Rock in Rio, no palco Sunset, no dia 17 de setembro, às 16h30, ao lado de Johnny Hooker e Almério. 

Foto: Ana Bittencourt
E passado algum tempo, desde o toque inicial do amigo Maranhão, quando estávamos falando apenas de uma promessa, eis que o sucesso de “Remonta”, álbum de estreia de Liniker e banda, já rompeu as fronteiras do país. Aos desavisados, durante os últimos meses a trupe cumpriu agenda inclusive na Europa, com 12 apresentações divididas entre Espanha, França, Alemanha, Portugal e Inglaterra, além de passagem recente pelos Estados Unidos.

Foto: Ana Bittencourt
As composições de Liniker estampam um selo único no atual (e desbotado) álbum de figurinhas da música brasileira. Só que nesse caso há originalidade e brilho de sobra, pois além da musicalidade, das canções e de uma voz singular, sua persona artística promove a quebra de estereótipos e uma celebração a pluralidade. O espetáculo que passou por Santa Maria nos revelou uma mistura de soul, toques de blues, POP, latinidade, MPB, black music norte-americana e música negra brasileira dos anos 1970. 

Foto: Ana Bittencourt
Ao presenciar de perto todo o misancene de Liniker, inicialmente o que mais me impressiona é a ligação entre a cantora e seus fãs. Em Santa Maria não foi diferente. Em canções como "Remonta", "Zero", "Sem nome,  mas com endereço", "Lousie du Brésil" e "Lina X",  o público mostra que sabe as letras na ponta da língua. Além disso, Liniker usa muito o corpo e sua performance para colorir o espetáculo. Figurino, maquiagem, coreografias, e o principal: uma grande voz! Durante o solo de "Você fez merda" a cantora tira para dançar o diretor de palco Juliano Rodrigues e assim transforma o espetáculo num delicioso bailinho. Em "Pra Ela", música dedicada a mãe, também relembra o nome de Nei D'Ogun, ativista social e religioso que foi enterrado horas antes da apresentação. 

Foto: Ana Bittencourt
Além do mais, como não falar dos Caramelows! Renata Essis (vocal de apoio), Rafael Barone (baixo), William Zaharanszki (guitarra), Fernando TRZ (teclado), Péricles Zuanon (bateria), Marja Lenski (percussão), Eder Araújo (saxofone e flauta), e Graziella Pizani (trompete), dão todo o suporte e fornecem a massa sonora para os voos da estrela principal da noite. Dentro desse contexto, um dos melhores momentos do espetáculo fica por conta de "Tua", quando Linker & Os Caramelows aludem a energia do lendário Sly & The Family Stone, promovendo uma catarse coletiva onde há margens de sobra para improvisos e aliterações daquilo que conhecemos do material gravado da banda, propondo uma ruptura com a curva original das canções. Tudo de expande. Em suma: o show consegue ser melhor que o disco. A experiência visual aliada ao contesto musical nos fazem concluir que tanto temas quanto espetáculo ainda estão em constante evolução. Liniker certamente será maior do que já é.

Foto: Ana Bittencourt
O único ponto negativo da noite passa pelo o anticlímax ocorrido nos últimos minutos da apresentação, quando no bis, em "Prendedor de Varal", Liniker desce do palco e se emaranha em meio ao público. Retorna visivelmente incomodada. Segundo postou em uma rede social, a artista afirma que foi bolinada por algumas pessoas da multidão."Foi horrível (...) Voltei para o palco muito incomodada, triste, chateada, não sabia onde enfiar a minha cara. Fiquei com vergonha do que aconteceu, Não sabia se contava isso no microfone ou não". 

Foto: Ana Bittencourt
Uma pena essa mácula em uma noite tão envolvente, incidente que certamente não reduz o brilho da passagem dessa nova estrela da música brasileira, assim como não condena o público em geral que se mostrou totalmente alinhado ao ativismo e as bandeiras da artista. Depois de Santa Maria, Liniker toca nesta sexta-feira (25) em Caxias do Sul, e no sábado (26) no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre.   

Com assinatura de apresentação do Itaimbé Palace Hotel, a passagem de Liniker & Os Caramelows por Santa Maria foi uma realização da Marquise 51, Todt Produções, Nomad - Gamana e Grings - Tours, Produções & Eventos.      


Setlist

Intro
Remonta
Louise du Brésil
Boxokê
Funzy
Você fez merda
Pra ela
Zero
Sem nome, mas sem endereço
Lina X
Ralador de pia
Tua

Bis

Prendedor de varal


Foto: Ana Bittencourt

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