General Bonimores lança novo compacto em vinil

Divulgação 180 Selo Fonográfico
Por Márcio Grings

Como é bom continuar se surpreendendo. Sensação leve de deixar se levar sem preconceito, predisposição ou rótulos. Essa foi a impressão que tive ao ouvir “Não Esqueça”, novo compacto em edição limitada (300 cópias) da banda General Bonimores.  O lançamento é do Selo Fonográfico 180, em vinil roxo translúcido de sete polegadas, 33 RPM (pino pequeno) e encarte duplo. E não estamos falando de um grupo que se coloca na zona de conforto (ou de conflito) de um estúdio de gravação para apenas cumprir tabela, pois tanto na faixa título (Lado A) quanto em “Início, Meio e Fim” (Lado B), dá pra perceber um quinteto maduro e pronto para tocar em qualquer rádio FM do país. Se o desafio é encontrar boas rádios (ou veículos isentos do jabá - o famoso pagar pra tocar), a solução talvez seja mesmo garantir o seu compacto e colocar o play pra girar no toca-discos da sua casa. Algo que já fiz sucessivas vezes...

Divulgação
Com produção de Ray Zimmer, as canções foram gravadas em seis estúdios diferentes durante o primeiro semestre de 2016. Na formação Chico Frandoloso (vocal, violão e guitarra), Jei Silvano (guitarra, vocal e violão), Dig Dembinski (baixo), Alessandro Sebben (teclado) e Zeh Dala Lana (bateria). 

“Não Esqueça” é puro pop/rock fácil e bem feito, muito acima da média do que você ouve por aí. Participação especial de Marcelo Fruet (guitarra slide). Trata-se de uma canção de amor que assume que o tema já foi tão explorado em milhares de letras de música, e sem demérito, a faixa mostra o quanto uma receita repetida mil vezes pode soar com ares de ineditismo

“Muitos falam do céu / Eu não só falaria / Eu te daria o céu / Outros falam da chuva / Eu não só falaria / Eu faria ela cair sobre você num dia quente purificando todo o teu ser / Muitos já citaram a lua em suas canções de amor / Te levaria até ela no meu disco voador / Outros já fizeram juras de amor / Eu não prometo nada / Simplesmente me entrego”, diz a letra do vocalista Chico Frandoloso, que apesar de utilizar recursos poéticos tão manjados e aparentemente desgastados, funciona como um carro novo numa estrada vazia. 
   
General Bonimores
Já “Início, Meio e Fim” é puro som ao estilo das boas bandas de rock da segunda metade dos anos 1960, algo por exemplo ligado ao espírito dos Hollies, somado a uma guitarra sacana com cheiro de George Harrison. Participação especial de Átila Viana (voz de apoio e guitarra). No primeiro momento fiquei incomodado com a divisão entre primeira e segunda estrofe em inglês - com apenas o refrão em português. Até mesmo pela proposta sonora claramente conectada a essa época específica do rock mundial, talvez ela pudesse ser cantada apenas no idioma original do gênero, pensei. Contudo, em audições posteriores pude concluir que há um diálogo entre essa contradição. Afinal, como disse lá no início do texto, nada como essa “sensação leve de deixar se levar sem preconceito, predisposição ou rótulos". Se “Não Esqueça” e “Início, Meio e Fim” entregam o jogo ou apenas despistam o ouvinte daquilo que virá no segundo álbum da General Bonimores, o que por hora podemos afirmar sem medo de errar é que essa rapaziada de Passo Fundo acaba de lançar um vinilzinho onde sobra elegância e boa música.  

Com participação da banda Suco Elétrico, o show de lançamento do compacto será neste domingo (30), com entrada franca, na Bugio Discos (Rua Sarmento Leite, 607 – Viaduto do Brooklyn), em Porto Alegre, a partir das 15hs.

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Ouça as duas canções que brilham no novo compacto. 


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