Resenha: Sheryl Crow - "Be Myself" (2017)

Divulgação Warner Music
Aos 55 anos, depois de adotar duas crianças, superar um câncer, terminar um relacionamento e deixar a poeira baixar, Sheryl Crow está de volta com “Be Myself” (2017), nona marca em sua discografia. Para quem conhece o trabalho da cantora norte-americana, depois de um momento de baixa nos últimos anos (e isso não significa que ela tenha feito discos ruins), o álbum que acabou de cair nas prateleiras na última semana a recoloca em posição de destaque na música internacional. 

E parte disso se deve a mudança de tom nas suas letras: "A confiança é algo que você não pode enxergar / Mas quando a perdemos, isso nos machuca profundamente / Espero que você esteja se sentindo super requintado  / Desde que  fez piada de mim", nos diz logo na abertura do álbum em “Alone in the dark”, que de algum modo também dá a pista que as melodias do disco são mais alegres do que a temática escolhida pela compositora.  

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Achou que pode ser exagero meu? Vai mais alguns trechos: “Halfway There" (Vamos apenas concordar em discordar / todos nós sabemos o resto); "Long Way Back" (Coloque suas luvas, volte ao ringue e lute) e “Rest of Me" (Eu Fiquei arrasada / Fui arrastada por um bom tempo por tudo isso). E apesar da predominância dos tons de cinza, o sol parece brilhar em algum momento: “Mesmo com escuridão por todos os lados / Acredite em mim, o amor salvará o dia”, profetiza em "Love Will Save the Day". E ela ainda crítica os exageros das redes sociais: "Toda vez que eu vejo meu Twitter / Alguém coloca uma bunda na minha cara". 

Quanto à sonoridade, “Be Myself” é um disco que coloca a guitarra quase sempre na linha de frente. Bem, se você tem no seu time um guitarrista como Doyle Bramhall ll (Eric Clapton), o mínimo que você pode fazer é mostrar o quanto ele é bom. E foi o que Sheryl fez. Como instrumentista, Bramhall é o grande destaque do álbum.  Ela também volta a trabalhar com o produtor Jeff Trott, responsável ainda pelo baixo, teclados e segunda guitarra do álbum. Com esse time reduzido, o resultado final é um disco que tem a marca do rock, mas que também transita pela já conhecida sonoridade de Sheryl. Ouvi-lo, de alguma forma nos arrasta para a lembrança de seus melhores álbuns lançados no final dos anos 1990, mas também revela que sua música amadureceu sem perder o genoma original das raízes em que ela busca sua inspiração.    

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