Andy Manson, o construtor de guitarras do Led Zeppelin que se refugiou em Portugal

Crédito: Lusa
Andy Manson, luthier inglês que ganhou fama nos anos 1970 como criador de guitarras e instrumentos para John Paul Jones e Jimmy Page, do Led Zeppelin, vive agora em Mortágua, no distrito de Viseu, em Portugal. Em 2010, cumpriu o sonho de se mudar para o sul da Europa – por ser mais quente e por gostar da ideia de apreciar “as oliveiras crescerem” à volta da sua casa. Decidiu fixar residência em uma casa na aldeia de Mortágua, que considera que “é um bom lugar para fazer instrumentos”. E parece ser um local adequado para um luthier – nome dado aos construtores de instrumentos musicais – é um lugar “calmo, pacífico e sossegado”. “Pôr a madeira a falar” é o que o inglês de 67 anos faz desde os anos 1960, época em que construiu sua primeira guitarra feita apenas com materiais que tinha à mão. E assim, segundo Manson, mais de mil instrumentos já passaram pelas suas mãos. Seus contratantes, muitos deles de renome internacional, pois em 50 anos de carreira já teve como clientes além do já mencionado Led Zeppelin, bandas e artistas como The Police, o líder dos Jethro Tull, Ian Anderson, Josh Homme, dos Queens of the Stone Age, ou Tori Amos.

Uma das criações de Manson nas mãos de John Paul Jones. Divulgação
Sobre a nova morada, Manson diz gostar realmente do que vê “à volta”. “Há algo forte e natural na forma como as pessoas vivem aqui”, disse à agência Lusa. Apesar de, por um lado, se sentir “isolado social e culturalmente”, neste lugar consegue “respirar”. E até já se aventurou na criação de uma viola e de um violão português. Face à mestria e fama que foi ganhando, as suas criações – sobretudo seus violões, bandolins e bandoloncelos – muitas dessas relíquias inéditas custam a pequena bagatela de seis mil euros. No final de cada instrumento, assegura, não há um sentimento de orgulho. “É mais o sentimento de frustração de não ser tão bom como eu gostaria. Porque ao fim de cada instrumento, há sempre um salto. Aprendo sempre mais do que aquilo que sabia quando comecei”, explica, considerando que as diferenças são “sutis”.

“Para mim, há mais do que o produto final. [Construir instrumentos] é uma forma de vida”, explica Manson, que considera que a venda é uma coisa separada da criação. A construção “é uma cerimônia, um ritual e uma alegria por si só”, que demora, pelo menos, um mês.

Outra 'criatura acústica' made in Mansonland. Reprodução

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