Resenha livro: "Crazy Diamond - Syd Barrett e o surgimento do Pink Floyd"

Syd Barret na lente de Mick Rock. Divulgação 
Lançado no final de 2013, um livro indispensável para quem quiser saber mais sobre uma das mentes mais criativas e instigantes da música pop do final dos anos 1960 é “Crazy Diamond – Syd Barrett e o surgimento do Pink Floyd” (Sonora Editora, 224 páginas). Escrito por Mike Watkinson e Pete Anderson, a publicação investiga o desparecimento artístico de Roger 'Syd' Barrett, assim como esmiúça os desdobramentos do exílio voluntário do principal criador da fase inicial da banda, falando também de sua imersão pelo mundo das drogas e a consequência desses excesso.
Fotos da sessão de Mick Rock para primeiro álbum de Syd.     

Aos desavisados, foi Syd quem materializou a estética e toda a plástica do Pink Floyd, sendo ele quem deu nome a banda e liderou o quarteto até a gravação do primeiro álbum. Uma das virtudes da publicação é centralizar sua narrativa na figura de Barrett, o colocando como principal vetor do sucesso inicial do grupo, época em que ganhou o status de mentor intelectual e um dos mais inventivos músicos do cenário britânico. 
Divulgalção Sonora Editora

Os autores investigam a (suposta) autosabotagem que Syd promoveu em sua carreira, além de revelar os detalhes da entrada de David Gilmour no Pink, avançando sobre o longo período sabático do músico. Nos últimos anos de sua vida, Barrett voltou a Cambridge, sua cidade natal localizada a cerca de 80 quilômetros de Londres. Lá, de volta a casa da mãe, virou um artista plástico recluso vivendo dos direitos autorais de suas músicas.

Impulsionado por músicas como “Arnold Layne”, Syd mudou a estética do rock no final de uma das décadas mais prolíficas do rock em ambos os lados do Atlântico, assim como sua poética e estética sonora fora dos padrões revolucionou e inspirou centenas de artistas. E como Arthur Rimbaud do rock, criou uma nova linguagem musical e depois saiu de cena – deixando um espectro imutável imprimido pelas suas visões.
Foto: Mick Rock



Um dos detalhes negativos do livro é a tradução descuidada da Sonora Editora que transforma a intraduzível palavra roadie em ‘estradinha’, assim como a revista Rolling Stone invariavelmente ganha um “s” no final da palavra stone. Entre os destaques, é preciso enaltecer o imenso trabalho de pesquisa dos autores que sem sucesso tentaram uma aproximação com o biografado. 
Uma rara foto com Syd e David Gilmour no Pink Floyd. Divulgação 

Morto em 2006, logo depois da última reunião do Pink Floyd em 2005, sabe-se agora que sua participação foi inclusive cogitada no Live 8. 

"O assombro do mundo, a beleza e força, as formas das coisas, suas luzes coloridas e sombras, tudo isso eu vi. Procure também por tudo isso enquanto a vida", diz o escritor Denys Watkins-Pitchford em um dos trechos favoritos do livro "The Little Grey Men", obra literária de maior influência na curta carreira de Syd. Nessa mesma via, eu declaro: o artista ainda vive, sua pulsação /respiração pode ser sentida/ouvida no álbum de estreia do Pink Floyd (The Piper of the Gates of Dawn) e nos seus dois álbuns solo (The Madcap Laughs e Barret, além de Opel, disco com sobras de gravações e outtakes). 

Sua música continua a nos inspirar.  
    


E por último, confira uma proposta feita em 1992, endereçada a Rosemary Breen, irmã de Syd, com quem o ex-Pink Floyd viveu nos últimos dias de vida, após a morte da mãe. Quem enviou a carta foi Tim Sommer, executivo da Atlantic Records que estava disposto a desembolsar duzentas mil libras por um novo (e flexível) contrato de gravação com o artista, tamanha a demanda por algo novo de Syd Barrett, utilizando Rosemary como interlocutora. Syd recusou a proposta.
    
Reprodução

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