OS 10 MELHORES DISCOS DE 2015

LISTA AINDA REVELA A CANÇÃO DO ANO, MELHOR CAPA E VIDEOCLIPE

Em comparação a 2014, 2015 foi um ano mediano de bons lançamentos. Lembrou 2012 e 2013, quando diante de poucas obras impactantes, fica mais fácil elaborar uma lista desse gênero. No entanto, dos 10 álbuns que enumero, tenho certeza: o ouvinte tem uma ótima trilha sonora garantida para os últimos dias de ano (basta clicar no nome de cada álbum e curtir). 

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Quem precisa de um novo disco dos Rolling Stones quando temos Keith Richards comendo a bola dentro de um estúdio? “Não estou envelhecendo. Estou evoluindo”, diz o músico inglês bem no finalzinho de “Under the influence”, documentário produzido pelo Netflix. “Crosseyed Heart” é disparado o TOP 1 desse ano, um álbum cinzelado pelo blues (faixa título e “Blues In The Morning”); country (“Robbed Blind” e “Goodnight Irene”); rocks encardidos (“Substancial Damage”, “Amnesia” e Trouble”); reggae (“Love Overdue”); soul (“Lover’s Plea”) e baladas matadoras (“Nothing On Me”, “Suspicious”, “Ilusion” e “Just A Gift”). “Fui abençoado. Vou continuar tocando enquanto for capaz. É só o que sei fazer”. Só nos resta dizer amém.

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Talvez você nunca tenha ouvido falar do músico e compositor Boz Scaggs. Uma pena, com uma penca de discos lançados em mais de 50 anos de carreira, o veterano de 71 anos é o criador de uma maravilha chamada “A Fool to Care”. O álbum passa pelo soul, rhythm blues e substanciais infiltrações na música de New Orleans. Bailinho garantido com uma banda base de cobras criadas: Ray Parker Jr. (guitarra), Willie Weeks (baixo) e Steve Jordan (bateria e produção). “Hell To Pay” apresenta um dueto maroto com Bonnie Raitt; “Last Tango on 16th Street” tem as cores emboloradas de um jazz de boteco na Bourbon Street; “There's A Storm A Comin'” é de chorar no cantinho e “I’m So Proud” é como uma fresta de sol nos dando a sensação de que boas canções podem iluminar os nossos dias. 


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Caminhando na linhagem das cantoras/compositoras associadas à tradição folk, ao estilo do que faz a cantora canadense Joni Mitchell, eu ainda aposto todas as minhas fichas em Laura Marling. Desde 2008, lançando um disco melhor que o outro, dessa vez a jovem nos apresenta “Short Movie”. Produzindo uma música inquietante e melancólica, e a contramão do universo pop atual, essa garota britânica de apenas 25 anos demonstra ter uma personalidade e maturidade absurda. Sua “Walk Alone” evoca ecos de Jeff Buckley; “Don't Let Me Bring You Down” é um delicioso pop/rock; “Divine” poderia ter sido gravada por Neil Young e “How Can I” define tudo: dê apenas um violão para Laura e ela nos mostra como se faz o serviço.

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Depois de um silêncio de 15 anos, Jeff Lynne reacende sua Electric Light Orchestra, grupo formado no início da década de 1970 na Inglaterra, retornando ao formato álbum com “Alone in the Universe”. “Eu fiz tudo, exceto tocar o chocalho e o pandeiro, que meu engenheiro Steve Jay tocou”, disse o músico. Assinando como Jeff Lynne’s ELO, o novo conjunto de canções é uma viajem no tempo. Tudo começa com a bela “When I Was Boy”, canção que ficaria bem em qualquer disco do ELO (meu videoclipe favorito do ano). “Basta ouvir “Love & Rain”, “Dirty To The Bone” e a faixa título para comprovar que o mesmo cara que emplacou sucessos como “I’m Alive” e ‘Last Train To London”, permanece aceso para cair na estrada e continuar nos emocionando.

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A sensação que temos muitas vezes é de Steve Earl é um daqueles caras que nunca se encaixam. Em Nasville, trabalhou como compositor, mas suas raízes hippies o deixavam de fora da panelinha caipira. Já fez várias pontas como ator em séries de TV e filmes. Mas quando ele coloca na roda seus álbuns, muitas vezes estraçalha nossos corações. É caso de “Terraplane”, disco gravado ao lado do The Dukes, em que ele acentua sua fama de trovador hardcore. Sim, o território é a country music, mas a abordagem de Steve faz toda a diferença. Muitas vezes ouvimos rock mascarado de country e vice-versa. E o blues pulsa firme nas entrelinhas. Pare tudo e ouça “Ain't Nobody's Daddy Now” e “Better Off Alone”, uma síntese dessa minha conversa fiada.

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Bob Dylan virou crooner. No álbum em que homenageia o repertório de Frank Sinatra, o bardo tirou outro coelho da cartola. E nesse conjunto de canções sombrias, Dylan assume de vez seu enlace com jazz e o songbook norte-americano. Tudo foi captado no Estúdio B, da Capitol, em Los Angeles, no mesmo prédio onde Sinatra carimbou muitos de seus clássicos. “I’m a Fool to Want You”, “Stay With Me”, “Fool Moon and Empty Arms” e “That Lucky Old Sun” estão entre os grandes momentos do álbum. Trilha sonora para garçonetes recolherem os copos antes de o último cliente pagar a conta, ou de um leão de chácara expulsar algum bêbado encrenqueiro que está morrendo de saudades de alguém. Dica: calibre seu copo de bourbon e ouça o disco em alguma daquelas noites insones. 

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Nove anos depois do último álbum solo, logo após protagonizar o canto do cisne do Pink Floyd e prestes a fazer shows no Brasil, David Gilmour está de volta. E de certa forma, “Rather That Lock” preenche a lacuna deixada pelo grupo. Como voz e guitarra de uma das bandas mais amadas do rock, canções como “Faces of Stone”, “In Any Tongue”, “Beauty” e “And Then”, nos recolocam no universo de trabalhos como “The Division Bell” e “The Endless River”, epílogos da fase sem Roger Waters. O clima jazzy de “The Girl In The Yellow Dress” é uma das boas surpresas, e a faixa título é puro Gilmour solo. “Dancing Right In Front Of Me” é pop de alta qualidade, no entanto, nada supera a beleza gélida da melancólica “A Boat Lies Waiting".

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Shelby é um autêntico tesouro da música country lado B. Ela foge do óbvio, explora vertentes mais poéticas, introspectivas e reveladoras. É o caso de “I Can’t Imagine”, seu 13º trabalho de estúdio. O canadense Ron Sexsmith se emparceirou a ela em “Love is Strong” e “Be in the Now”. Ainda rolam três temas com o cantor/compositor Citizen Cope. Porém, basta ouvir a faixa título do novo álbum pra entender onde anda o espírito dessa quarentona solitária. Em “Paper Van Gogh ela diz: “O vinho tinto mancha as páginas de marfim / O espelho apenas revela o óbvio / A maior farsa de todas está pendurada na parede / O meu Van Gogh de papel”. A maior patifaria seria não incluí-la nessa lista. Isso sim...

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Depois de muitos anos atuando como sideman de diversos nomes de peso da música nacional/internacional, o pianista gaúcho Luciano Leães apresenta seu trabalho autoral. “The Power of Love” revela onze canções assinadas por ele e com o acompanhamento do Big Chiefs. Leães coproduziu “The Power of Love” ao lado de Paulo Arcari, com finalização e masterização em Nashville, Tennessee (EUA), por Russ Ragsdale. Tudo soa gringo – ”Sinner, not a Saint” (é o blues mais blues do CD); “Fight the Power” (autêntica canção/vodu vinda direto dos pântanos da Louisiana); “Life’s a Game (puro dixieland); “Song for JB (homenagem a lenda do piano blues James Booker); “Take to the Top” (ecos de rock’a’billy) e “Blackout Party” (típico blues com o gingado sulista). Leia a resenha completa AQUI


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Ele já foi engenheiro de estúdio, músico contratado e produtor, também atuou como artista de rua em Paris. Hoje é admirado pela sua mistura de blues, rock e country envenenado. Gravou seu primeiro disco aos 62 anos e acaba de disparar “Sonic Soul Surfer”, um tijolaço que tritura o ouvinte a começar pela faixa de abertura, “Roy’s Gang”. A rabeca e o banjo de “In Peaceful Drems” alivia a pancadaria para logo depois sermos atropelados pelo groove viciante de “Summertine Boy”. E o slide come frouxo em grande do álbum. “Sonic Soul Boogie” é puro ZZ Top e apenas acompanhado de seu violão, em “Right On Time”, ao seu estilo, Stevie nos amacia para a siesta com uma enternecida canção de ninar.  

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Quando eu lembrar de 2015, essa música vai bater direto na lembrança (Shelby Lynne - "I Can't Imagine").



E nenhum videoclipe que vi nos últimos meses supera essa belezura. (Jeff Lynne's ELO - “When I Was Boy”).



E não apenas pela capa, mas também pelo conteúdo e projeto gráfico do CD, "Sistema Solar", de Gérson Werlang, é meu destaque do ano nesse quesito. O álbum ganha versão em LP ainda no primeiro semestre de 2016. A capa e todo os conteúdos artísticos são assinados por Rodrigo Sazes.



 

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