O alarmista

Cadré Domingues. Foto: FB
Não sei se porque também faço 45 anos em 2015, ou porque sou um cara  igualmente farto de várias coisas. Acima de tudo, resolvi colocar esse texto no blogue por temer que tais linhas ficassem perdidas nas TLs movediças do Facebook, e assim, provavelmente me ver enovelado na tarefa difícil de resgatar em vão esse recado.

Por razões como essa, jogo-o aqui no Memorabilia, com as devidas marcações e tags.

Cadré Dominguez​ é um baita profissional, um cara sensível e pai de filhos diferenciados. Vejo-o como um ser humano admirável num cenário árido e inóspito. Pelos relatos que tive de alguns de seus aprendizes, ainda deve ser lembrado como um professor de verdade, ou seja: ensina bem, se preocupa em bem encaminhar os seus pupilos, não apenas fazendo da sua profissão uma constante expectativa com o Dia D da grana pingando na sua conta. Sem medo de errar digo que Cadré é uma daquelas figuras raras que certamente não encontramos todos os dias. Por isso, compartilho o texto que o amigo jornalista publicou via Facebook na noite da última segunda-feira (09/01).

"É bem estranho. Leio muito jornal desde que meu avô, Jaime Echenique, me passou o hábito de ler o velho Correio do Povo. Acabei estudando Jornalismo, na graduação, um ano na UCpel, em Pelotas, e mais 5 anos na UFSM, em Santa Maria da boca do monte. Adorei, sempre incomodado com a peleguice de colegas e alguns professores. Me formei, trabalhei aqui, acolá, fui enganado, briguei, não me pagaram, segui adiante. 

Fui pras capital, trabalhei nove meses em uma pesquisa pra saber dos hábitos dos gaúchos em relação aos novas tecnologias de comunicação. Na época, TV à cabo e video-cassete. Fui fazer mestrado no Rio de Janeiro, na UFRJ, melhor pós em comunicação do país. Depois de dois anos, farto da academia, fui trabalhar com um excepcional jornalista carioca, La Peña, em um site que cobria os bastidores do Congresso Nacional em Brasília. Já amava a política desde sempre e aprendi que a meleca do senador é igual a minha. Conheci os meandros de Brasília e RJ. 

Fui ser editor de política em Blumenau, no saudoso Jornal de Santa Catarina. Segui firme na política e retornei a Santa Maria (RS) para ser novamente editor de política por maravilhosos seis anos, onde escrevi semanalmente uma coluna de opinião chamada Domingueira. Daí, fui ensinar Jornalismo em Frederico Westphalen, ofício que já tinha exercido em Blumenau e também em Santa Maria,na Unifra. Daífui fazer doutorado na UFRGS, hoje a melhor federal do país. Fui estudar o jornalismo. 

Faço 45 anos este ano. Leio quase que dez jornais por dia, em três idiomas. Escuto rádio. Não vejo televisão há uns 10 anos. Estou na labuta do jornalismo há mais de 20 anos, fazendo, ensinando e estudando muito. Ai, escuto de muitas pessoas que você não sabe nada. Que és uma pessoa atrasada, manipulada, burra. Bom, não sou médico, nem advogado, nem engenheiro. Mas respeito a opinião de médicos sobre saúde, advogados sobre leis e de engenheiros sobre obras. Mas eu não posso entender que as pessoas hoje em dia são completamente manipuladas pelas informações que recebem diariamente por empresas privadas que sempre decidiram o que pensar no Brasil e no mundo. 

Sou alarmista. Acredito em teorias da conspiração. E eles seguem berrando o que lhe és mandado berrar sem ao menos se dar conta disso. Me entristece. O futuro de intolerância e mentira midiática só pode encaminhar o mundo para a guerra permanente que já existe em vários continentes. No Brasil, a depender de muitos que pedem a volta do regime militar, o futuro será o pior possível. É inacreditável. Mas cada vez mais próximo. Podem me trucidar, mas já plantei quatro sementes contra a intolerância. Rego elas todo os dias. Rego também espíritos ainda livres, que encontro pelo mundo, poi me nego a ficar parado no ninho maravilhoso das ofertas de produtos eletrônicos. 

Caminho pelas ruelas. Prefiro o calçadão ao shopping. O mar ao filme do mar. A luz ao reflexo das ilusões. Tristes estes tempos que me cabem escrever do meu país. Mas escrevo porque sei que alguém sempre vai ler no futuro".

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