quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Strange Fruit: Tinga, Billie Holiday, Martin Luther King e o preconceito racial



Coisa horrorosa essa cena de preconceito racial que aconteceu com o Tinga na noite da última quarta-feira no Peru. 

Detalhes no link.

O meio-campista do Cruzeiro declarou que preferia não ter conquistado nenhum título em sua carreira se pudesse viver sem o preconceito. Um absurdo ainda nos depararmos com situações ridículas como essa.  

Essa história de racismo promoveu na minha cabeça uma ligação direta com certa canção que ficou famosa na voz de Billie Holiday, um tema que expunha a mazela do preconceito racial.

Trata-se de "Strange Fruit", som nascido como um poema que condenava o racismo no Sul dos Estados Unidos. "Strange Fruit" foi escrito por Abel Meeropol (um professor judeu de colégio do Bronx), e falava alegoricamente sobre o linchamento de dois homens negros. Ele o publicou sob o pseudônimo de Lewis Allan. Tempos depois, Meeropol musicou a poesia e obteve algum sucesso na região de Nova York. Quem cantou a primeira versão do tema foi  a cantora negra Laura Duncan, esposa do compositor.

Uma curiosidade: Nas apresentações, quando Billie estava prestes de começar a cantá-la, os garçons paravam de servir as mesas, todas as luzes se apagavam e um único foco de luz iluminava a cantora no palco. Durante a introdução musical, Holiday ficava com seus olhos fechados, como se evocando uma oração. Em dezembro de 1999, a revista Time deu a "Strange Fruit" o título de canção do Século.

A versão de Holiday foi colocada na lista do Hall da Fama do Grammy em 1978, como também foi incluída na lista de canções do século da Recording Industry of America e da National Endowment for the Art.

"Strange Fruit" é uma canção que expõe o extremismo em que o preconceito racial alcançou nos Estados Unidos. O que aconteceu com Tinga é apenas um traço desse ponto de vista idiota de nivelar a raça humana pela cor da pele de cada um. Lembrei do lendário discurso de Martin Luther King:


"Eu tenho o sonho de ver um dia meus quatro filhos vivendo numa nação em que não sejam julgados pela cor de sua pele, mas sim pelo seu caráter." 

Seja no futebol, na música, ou em qualquer raio de lugar, nunca podemos deixar que situações como essa tomem dimensões ainda mais ampliadas. É por isso que tanto o discurso de King, quanto a música e a atitude de Billie, ainda merecem lembrança nos dias de hoje. 

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