O santo xis santa-mariense

Olha o meu Xis de ontem à noite. Via Serve Bem! Thanks, Luciano e Luci!


Crônica #46 publicada no Diário de Santa Maria 07/06/2013 | N° 11705

“Um homem solitário e sua casa”. Você já viu a droga de filme e o iminente desastre que se configura nesse cenário. Além da limpeza do lugar onde vive, há afazeres que demandam um bocado de tempo, isso bem antes de você colocar os pés na rua e dizer: “uuuufaaa!”. Lavar roupa, limpar o pátio, alimentar os bichos, fazer compras, enfim, é muita coisa para cabeças desmioladas do sexo masculino. Eu me rendo: as mulheres são foda! Grande parte delas resolve tudo isso (e muito mais), fazendo embaixadinhas na sua frente. Assobiando e chupando cana, saca? E rindo na sua cara... Pois é, minha opinião como um dono de casa de araque, é que a pior parte compete ao rango.

Claro que gosto de ir para a cozinha! Cozinhar na boa e curtir os preliminares, abrir uma garrafa de vinho, ir degustando-a aos poucos, apreciar o barulho das panelas cozinhando seu jantar e o aroma que se espalha até as outras peças. Mas... PQP! Cozinhar todo o dia é um pé no saco! Não aguento mais essa lida. É aí que entra o junkfood mais próximo. Ou o “cachorrão”, onde você sabe que vai se entupir de porcarias, mas é super bem tratado e acaba ignorando todos os avisos do tipo: “maionese demais faz mal e vai levar você para o buraco”, essas coisas. Conversa fiada. Será?

Existe uma lancheria que atende todos meus pré-requisitos quanto atendimento e satisfação. Nesse lugar eles vendem os tradicionais cheese burgers, ou como carinhosamente chamamos por aqui – xis, e santa-mariense em sua essência, é claro! Não existe melhor em lugar algum do planeta. Quem já comeu sabe do que falo. Pois é, ando me entupindo de xis nos últimos dias. Em cerca de duas semanas, já devorei uma boa dezena deles. Entre tantas opções, como sou um homem tradicional, geralmente opto por um completo clássico: hambúrguer de carne, mais bacon, ovo, queijo, alface picado, tomate, milho e ervilha. Espetáculo! Um tijolo “que desce rolando, abrindo caminhos (...) e que para na encruzilhada...” do seu estômago. Claro que tudo isso, de preferência, precisa estar nadando em maionese caseira, ketchup e mostarda. A satisfação de um homem acabando com um desses, igual um troglodita, com a barba toda suja dessa mistura explosiva, é demais! E lá vou eu empurrando outro goela abaixo na velocidade de um heavy rock. Vai por mim, brother: é um prazer comparado a poucos. Quem já recorreu a um desses, sabe do que falo. “Dilíciaaaa”!

Se o colesterol vai subir às alturas, se o coração vai explodir daqui alguns anos, ou se você (eventualmente) sofrer de algum indesejado efeito colateral, buenas, faz parte do jogo. Nada é perfeito. A não ser o nosso santo xis de cada dia, sempre no mesmo lugar e com o mesmo garçom nos atendendo. Coisa de homem. Vou lançar a campanha: se Porto Alegre tem um pôr(zinho) de sol de araque como símbolo, nós temos o nosso xis. Patrimônio local que precisa ganhar uma estátua na Praça Saldanha Marinho. Um voto pra estátua. Alguém ‘tá comigo nessa?


No texto acima fiz uma brincadeira com a letra de um som de certa banda local que ouvi muito nessa semana. Segue abaixo uma reprise: 


"Espetáculo! Um tijolo “que desce rolando, abrindo caminhos (...) e que para na encruzilhada...” do seu estômago".



Que show a Rinoceronte fez última quarta-feira no Theatro! Clique no player abaixo e liga pro Xis mais próximo. 

Santa Maria na veia.


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