segunda-feira, 11 de março de 2013

Ainda Ressoando pelas paredes




Escrevi “Ressoando pelas paredes” em 2001. Esse poema foi publicado no ano seguinte em “Saindo da Linha” (sCHDs), meu primeiro livro. Sempre olhei para o (suposto) resultado final dessa criação e pensava: “Gostaria de reescrevê-lo”. Sabe - igual Lowell George fez com “Willin”. Essa canção veio ao mundo em 1971, no álbum de estreia da banda norte-americana Little Feat. Só que George, como compositor, não parece ter ficado satisfeito com a gravação. Prova disso é que no ano seguinte, “Willin” retornou no LP “Sailing Shoes”. E foi nessa segunda vinda do tema, que seu autor encontrou os contornos definitivos para esse clássico do country rock.

 

Resolvi fazer o mesmo com “Ressoando pelas paredes”. São pequenas mudanças, no entanto, a meu ver, desentortaram detalhes que me fustigavam toda vez que olhava para o que fora publicado no livro. 

A inspiração desse poema veio da história de Lancelot e Guinevere. A vida de Lancelot foi marcada pela sua paixão por Guinevere, esposa do rei Artur, com quem manteve uma relação amorosa. Um amor que nunca encontrou sua plenitude. A tentativa do poema é passar aquela sensação de que mesmo quando não estamos mais presentes, muito daquilo que somos e pensamos - permanece com as pessoas as quais amamos.   

Eis as linhas.

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Toda vez que me despeço de ti, é apenas o meu corpo que se vai. Porque o meu espírito aventureiro permanece contigo. Basta lembrares daquilo que te disse ao acordar, leres o bilhete que deixei rascunhado sob o travesseiro, para que percebas a minha presença no ar. As marcas que ilustrei na tua vida, não passam do testamento vivo daquilo que sinto. Eu sei Milady, meu cheiro amadurece & nunca fenece em tuas lembranças. 

Minha voz ainda ressoa pelas paredes.

Cá estou eu, onde te vigio a distância através dos meus pensamentos. Apanhei algumas frutas & as deixei sobre a mesa, para que tu te revigores ao longo e um dia tranquilo. Parti cantando uma antiga canção burlesca. Alegria fortalece a alma & amedronta o inimigo. Pegadas das minhas botas ainda sujam a entrada do teu quarto, prova visível de que tu não estás sozinha, demarcando o quão palpável o instante passado pode ser.

O eterno retorno cavalga com o poente. A roda de um moinho nunca gira ao contrário. Assista ao limiar de um acaso previsível.

O caminho que me leva é o mesmo que me traz. Conquistas inexistem sem minha volta à tua porta.   

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