O amor que você dá

Saulo com os filhos em Liverpool.

Crônica #18 publicada no Diário de Santa Maria 16.11/2012 | N° 3301

Livre-arbítrio é uma expressão usada para significar a vontade da livre de escolha, as decisões livres de cada um de nós. Eu imagino livre-arbítrio como um Buffet de ponta, com várias opções de carnes, saladas e sobremesas. Você não vai conseguir provar todo o cardápio, por isso precisa fazer a escolha e levar em conta suas opções. Se você preferir alimentos leves e buscar uma refeição equilibrada, seu corpo (e mente) colherão bons frutos. Caso haja o exagero e você seja dominado pela gula, é claro que haverá consequências negativas. Todo ser humano vez ou outra se depara com algum tipo de decisão. E são esses cruzamentos que determinam tudo. Muitas vezes nossas escolhas nos colocam em lugares bem bacanas, em outras oportunidades, nos metemos em alguma enrascada. 




E assim vamos vivendo, quase sempre seguindo em frente no piloto automático. Em diversos momentos não dá tempo de parar e pensar, ou apenas inventamos alguma desculpa para tapar o sol com a peneira. Emaranhados em nosso cotidiano, aflições, desejos, ambições e sonhos, podemos facilmente nos enganar e assim muitas vezes caímos tombos ao tropeçar nos nossos próprios pés. Por outro lado, o peso dos grilhões que carregamos ao longo da vida, nos deixam calejados para certas coisas. No meu caso, por exemplo, faço um esforço danado para modificar o imutável, e quase sempre dou com os burros n’água. No entanto, como cabeça dura que sou, recorro no mesmo esforço para mostrar a mim mesmo que sou um cara legal. Sei que sou. Eu apenas distribuo amor entre os meus. Não desejo o mal de ninguém. E no frigir dos ovos - sabe o qual o legado que deixamos? Quem nos responde é Paul McCartney no álbum Abbey Road: “And in the end / The Love you take / Is equal to the Love you make” (E no final / o amor que você recebe/É igual ao amor que você dá).




Essa semana morreu Saulo Silva, um dos maiores entusiastas e fã dos Beatles que conheci. Trocamos muitas figurinhas ao longo dos anos. Também tivemos nossas diferenças, e por mais que algumas vezes tenhamos estremecido as coisas entre nós, nos dávamos bem. Saulo era um bom papo. Durante o velório fiquei olhando o rosto imóvel do meu amigo, e me vi naquele semblante. Os sonhos de Saulo eram imensos. Ele queria fazer um Festival Beatle aqui na cidade, aos moldes do Beatle Week que acontece todos os anos em Liverpool. Não conseguiu. Lorde Saulo ficou um pouco abatido com isso, mas seguiu em frente. E sempre inspirado pelas canções que ouvia, ele continuava distribuindo muito amor entre os seus. E seu livre arbítrio o levou em algumas oportunidades a abusar do cardápio que a vida lhe ofereceu, e muitas vezes Saulo colocou o pé na porta. Quem nunca? A última vez que nos falamos ele ligou para rádio. Pediu que tocasse uma canção dos Beatles. Vejo o legado do coroa seguindo adiante nas veias de seus filhos. 

Vaya com Diós, amigo.


Comentários

  1. cara n me diz uma coisa dessa, tche n sabia disso, qdo foi??? bah cara como aconteceu, faz tempo q n falava cm ele e agora vc diz isso...d repente amanha 17.11 chego na disco voador e ae converso melhor...abraço..

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