domingo, 10 de junho de 2012

Uma música para salvar o dia

Divulgação Virgin

Tem dias que você se pergunta logo que tira os pés da cama: “por que levantei de lá?” Será que não devia ter ficado soterrado entre os lençóis? Igual a um sobrevivente de um terremoto à espera da equipe de resgate. Resignado como um homem que observa a areia escorrendo pela ampulheta, tal como Ivan Illicht, sacando de leve cada segundo antes da última queda. E você segue acordando no piloto automático, e quando calça o sapato descobre aquela pedrinha chata dentro dele. Putz! E aí, como num passe de mágica, ainda com a escova de dente entre a mão e a boca, liga o rádio e então... Eis que uma música deixa o seu dia ainda pior!  Boom! E essa canção ainda lhe diz. Seu filho-da-puta! Volta pra cama!”. Jota Quest o caralho!

Que nada. Você desliga a porra do rádio e resolve ir até a loja. Refugia-se nos seus fones de ouvido, tasca no repeat “Mississipi” de Dylan em três versões diferentes e vai pra parada do ônibus. Meia hora depois já está na loja. Começa a manhã colando umas capas de LPs e organizando as prateleiras. Retoca um cantinho da parte interna da capa de “Machine Head” do Purple, apaga com a borracha uma dedicatória na capa de “The Wall”, do Floyd, e assim, aos poucos, seu dia vai entrando nos trinques. Próximo sábado tem um novo encontro. Entre uma fuçada e outra no acervo, se depara com a trilha sonora de “Homeboy”, filme de 1989 que trás Mickey Rourke com um boxeador de quinta categoria. A seleção contêm um bocado de canções instrumentos de Eric Clapton e uma blueseiras danadas de boa – Magic Slim, Buddy Guy; uns popzinhos – J.B. Hutto & The New Hawks e The Breaks, no entanto, a faixa que abre o lado B é daquele naipe de sons que não tem outra. É por isso que a música pode salvar o seu dia...  

Você nem 'tá falando da letra de I Want To Love You Baby, um antigo sonzinho da dupla Peggy Scott e Jo Jo Benson, você percebe que dá pra sentir uma energia contagiante pulsando nessa música. E o groove se infiltra no seu sangue e o ajuda de alguma forma. É quando surge de novo àquela voz interior e lhe assopra uma última dica:Bola pra frente, meu velho. Cada dia nos apresenta uma nova cor, um novo amor, uma nova história... Tá certo, afinal, você está na boa com suas atitudes e convicções, que permanecem intactas como imponentes estátuas de bronze. E tem outra, apesar de todas as aflições, erros e acertos, dá pra concluir que o segredo de tudo é estar em paz consigo. Afinal, é uma vida ótima, essa vida de música!, não acham? Tirou a pedra do sapato, continuou dando um “shape” nos velhos bolachões e logo depois foi tomar um mate com Dona Helena. Grato a Jo Jo & Peggy.


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