Azedume comendo frouxo

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Não basta um binóculo mega potente pra que tenhamos a melhor visão dos fatos. Muitas vezes é preciso faro. Uma lente ampliada nem sempre consegue nos colocar mais perto da verdade.  Não acredito em visões de raios-X. Sabe qualé meu problema maior: excesso de sinceridade. Isso bloqueia as pessoas ao seu redor. Na verdade, todos esperam que você faça média, aceite as coisas numa boa, mesmo quando contrariado. É aí que ‘tá o calcanhar de Aquiles da questão: eu não faço média! Bem pelo contrário. Deixo bem claro quando uma situação me incomoda. Não tenho saco pra aporrinhação. Esse lance de ser político e tentar ser amigo de todos é um caminho sem volta rumo ao inferno astral. Por favor, não me marquem no Facebook com aquelas canções ridículas nem tentem me dizer que “essa” “aquela” banda possivelmente seja o futuro da música pop. Eu já descobri tudo.  Depois que ouvimos coisas como Dylan, Band, Feat, e o melhor de Beatles e Stones o resto vira apenas o resto do resto e pura conversa fiada, tipo conto da carochinha.

Tenho certeza que no meu futuro irei acabar sozinho com meus livros, discos e bichanos felinos e independentes que circulam pelo pátio comendo lagartixas e insetos.  Azedume comendo frouxo nessa quarta da Independência do Brasil e de mim mesmo. Queria ter nascido em outro lugar. Na verdade em outra época. Eu sou mais antigo do que minha certidão de nascimento. Alguma coisa deu errado. A esperança brota de algum lugar em certos momentos inesperados. Quer um exemplo? Fim do inverno. Quando tudo parece morto e acabado, olho pro velho pé de Cáqui que minha avó plantou há 30 anos, e de uma forma mágica... Ele voltou a verdejar. Tem um broto novo saindo de lá. A vida sempre se renova. Sabe-se lá porquê!       

Comentários

  1. Pois saiba, meu querido, que há anos adotei uma frase pra minha vida, a qual faço questão de repetir sempre que a situação exige: A Ana não faz tipo. É mais ou menos esse teu 'não fazer média'. Aprendi a duras penas a não me violar nas minhas vontades (ou falta delas, aprendi a dizer não querendo dizer não mesmo e a dizer sim pq é sincero e não somente pra agradar. Aprendi a me respeitar e não contrariar aquilo que pra mim é lei. E esse 'direito de ser' acaba assustando, causando reações contrárias e um ou outro nariz torto. E quer saber? Nem tô. Sou feliz no meu azedume. Ainda que vezenquando disfarce pra não me indispor, tento ao menos ser flexível. Mas assim sou. Velha de espírito, certidão de nascimento não condiz, às vezes acho que prefiro felinos à pessoas, mas é com elas que tenho que conviver.

    O que quero dizer com tudo isso, brother da vida, é que te amo do jeito que tu é. Tenho cada vez mais admiração por ti, me emociono de pensar a quanto tempo nos conhecemos e sempre brota um sorriso quando lembro de 1986, o ano que pra mim não acabou. Então é isso. Mantenha teu azedume, mas leva meu querer bem em algum lugar desse coração árido, porém, terno.

    Amo tu.

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  2. Personalidades, meu velho... personalidade!

    Há quem goste dos enlatados, dos nissins e afins que a indústria oferece em lotes. O que dá graça à vida são as nuanças que ela oferece.

    Já desejei ver como um daltônico, ter o olfato do cão e a audição dos gatos... no fim, contento-me comigo mesma (só não gosto dos espelhos e de fotos).

    Somos velhos? Meus conselhos, além de não serem de minha autoria, também o são, diria até que milenares... (Provérbios de Salomão capítulo 2)

    Creia: O que é Música e aqueles que são bons músicos, apenas usam os recursos que lhes foram dados... o resto... é distorção...

    Assim está escrito em Êxodo 23:2 "Não deves acompanhar a multidão para maus objetivos", ou seja, nem tudo que é popular é bom...

    E como dizia um velho senhor sábio que conheci por aqui: "Me queira bem que não lhe custa nada!"

    Abração!!! Um bom dia, semana, mês...ano!!!

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  3. grings meu velho.
    acho que você vai se surpreender. no seu futuro haverá mais que solidão, seus livros, discos e bichanos felinos e independentes circulando pelo pátio comendo lagartixas e insetos.
    os Bourbons e Tennessee whiskeys costumam ficar melhores e mais aveludados com o tempo.
    os canalhas costumam dar trabalho, mas não são bom de se fiar. sem média com eles.
    abraços.
    do velho guina

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  4. Você é um caso raro de árvore. Já te falei sobre a história da palma talipot. Aquela que foi trazida do Sri Lanka. Floresce uma única fez na vida, cerca de 50 anos depois de ser plantada. O teu azedume é por conta da semente.

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