Os livros e algumas linhas sobre eles


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Saindo da Linha, 70 páginas. Editora sCHDs (2002) - Poesia
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Márcio Grings, poeta na periferia da periferia desse capitalismo truculento e sedutor, internalizou todos esse ritmos que vem da contracultura, deixou que o melhor do rock borbulhasse em suas veias, plugou-se na imagética dos beats e botou pra quebrar. Isto é, escreveu versos. Fez isso em inglês, tal é sua fissura com a dicção da poesia norte-americana  –  e  também em português, encontrando nessa última língua um modo de ser fiel a sua matriz underground. Nesse sentido, Grings filiou-se a geração dos poetas marginais brasileiros que surgem nos anos 70 e criam uma poética que expressa essa nova sensibilidade feita de sexo, drogas e rock’n’roll. Márcio Grings está nessa estrada com voz própria. Seus poemas tem swing sedutor. São poemas ágeis que tematizam o mergulho de uma voz lírica no mundo – mergulho no corpo das mulheres, especialmente, e também na coreografia das cidades, no vazio inevitável da existência – e revelam alguma pressa e inquietude. E, para não se perder por aí, o poeta também aponta uma trilha possível (para si próprio e para os outros): pise/beba/encontre/voe, saia da linha. A liberdade é meu regato, ele escreve. A liberdade é o mar do nosso desejo, proclamo.
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Vítor Biasoli, outono de 2002
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Santa Invasão Poética, 126 páginas. Editora sCHDs (2003) – Poesia
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Coletânea organizada por Márcio Grings. Com Pedro Moreira, Cris Rios Leme, Odemir Tex Jr, Gustavo Leitão, Maximiliano Chami, Sally Hodgson, Víctor Kowalski e Márcio Grings. 
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Rock & Roll, 78 páginas. Editora sCHDs – Conto, crônica e poesia.
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Vejam que pretensão: “há um poeta em mim que Deus disse”. Teria Pessoa conversado com Deus. Quem sabe um encontro casual em algum beco de Lisboa ou entre barcos e peixes na cidade do Porto. Hoje se sabe que sim. Eles tinham longos e demorados encontros. Porque hoje sabemos que ele só conversa com as crianças, com os loucos e com os poetas. E o que é um poeta senão uma criança enlouquecida. Márcio Grings é uma criança quase sempre vestida de preto. No ombro, uma bolsa com seus brinquedos; um seboso caderno de anotações, envelhecidos discos de vinil que ele descobre não sei onde e livros que ele cata não imagino em que lugar. No caderno, pensamentos recolhidos nas ruas com o sol ou com enegrecidas noites de insônia. Os LPs são de todos os gêneros, mas especialmente blues e rock. Gente que a gente conhece muito bem e outros que nunca ouvi falar. E os livros? As sinuosas e embriagadas páginas de Bukowski, os sons confusos e ritmados de um Kerouac, mas não é só isso, é de tudo um pouco. É cinema, é memória, é crônica, é poesia, é uma Babel naquela bolsa. Grings diz o que faz e faz o que diz. Ele fala do último porre de Deus, lembra do disco de vinil empenando ao sol do meio-dia, lança um desafio ao perguntar quem será o próximo a enfiar o taco da bota na boca do jacaré, lamenta o livro escrito que ninguém leu. Na mesa,  a caneta desenha um solo de trompete; na memória, a imagem de uma mulher chupando luzes como a mais bela das putas... Enquanto a tatuagem caminha pelo braço. É meu caro Grings, você tem razão: não dá mais pra parar essa insaciável inquietude. Você é um insaciável, peça a sua amada e escreva um novo poema usando seu corpo como papel. Continue, você criança, brincando com as estrelas, desarrumando a casa bem comportada. Pegue sua harmônica e encha de sons as noites mal dormidas da cidade e faça tudo que lhe der na telha. Você é um poeta.
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Pedro Freire Jr, outono de 2004 
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Ainda em 2004, Rock & Roll ganhou duas adaptações em espetáculos da banda de blues Red House. Os textos foram inseridos como interlúdios e monólogos entre as cançoes. Os dois show aconteceram no palco de Theatro Treze de Maio, em Santa Maria - RS

Adaptação: Márcio Grings e Leonardo Roat
Atores: Ricardo Paím e André Assmann 
Direção de arte: Paulo Teixeira
Direção geral: Leonard Roat 
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Foto: Charles Guerra

Em 2006 Rock & Roll inspirou um curtametragem que foi ganhador dos prêmios de Melhor Ator, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Edição na mostra competitiva local do 5° Santa Maria Vídeo e Cinema.


Protagonista: Fabrício Moser
Direção: Amarello Rodrigues
Edição: Bruno Kieling
Assistente de direção: Renata Celidonio
Direção de arte: Luísa Copetti
Produção: Caroline Pandolfo
Continuista: Simone Minuzzi
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Veja a primeira parte do curta:
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Vivendo À Sombra dos Gigantes, 104 páginas. Editora Barco A Vapor (2006) - Ensaio sobre cinema, música e literatura.  
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Márcio Grings já nos levou aos subterrâneos da poesia e do conto com Saindo da Linha e Rock & Roll. Em Vivendo À Sombra dos Gigantes, ele se aventura na prosa ensaísta. Ao escrever sobre cinema, Grings faz vários convites ao seu leitor. Primeiro, porque ele fala de filmes sob a ótica de suas referências. Interpreta as obras citando livros, lembrando de música e, até mesmo, comparando com outros filmes e diretores. O segundo convite é o de você concordar ou discordar de suas sacadas e ideias. É aí que se estabelece o mais interessante do livro: um diálogo crítico ente autor e leitor. O que distancia Vivendo À Sombra dos Gigantes das narrativas jornalísticas é que Grings escreve textos sobre filmes em tom pessoal. Mas sem que isso soe egocentrismo ou vaidade. Ao mesmo tempo em que se expõe ao revelar o que percebe nas narrativas cinematográficas, comparilha com seu leitor o que sabe, o que pensa, o que sente. Com seus textos, Grings sugere como buscar e apreciar a inventidade que ainda se encontra no cinema..
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Francisco Dalcol, primavera de 2006          



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A Nós, O Clube dos Descontentes, 128 páginas. Editora Barco A Vapor (2009)  Conto, crônica e poesia. 
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Entrar nesse clube é fogo. A porta é estreita e o leão-de-chácara ruge. Acomodado não entra, conformado não passa. Abúlicos e submissos? Esqueçam. Minha carteirinha falsa já foi desmascarada na hora do vamos ver. Nem tentem. O Clube dos Descontentes expulsa o senso comum. O clichê é enxotado a pontapés com toda crueldade que merece. Mas se você, por esforço e aptidão, conseguir passar o umbral da entrada, será premiado com a benevolência dos confrades. Márcio Grings o estará esperando na ante-sala enfumaçada, com os pés sobre a mesa, trinando a gaita de boca, ou sorvendo um gole de Bourbon, reclamando do cheiro de fritura, do calor, do governo, de tudo. E, com os ouvidos empapados de blues e rock’n’ roll, você encontrará Paulo Chagas debochando da mesmice e, sem a menor compaixão, pisoteando a pieguice, esfolando todos os estereótipos figurativos a pontaços de nanquim. Então o Clube estará escancarado, ventilando acidez, ironia, desconfiança e todos os apetrechos linguísticos que varrem para fora as frases prontas e as ideias pré-concebidas. Os Descontentes não aceitam as imposições da hegemonia. São dissidentes radicais. E, arrancando os anteolhos da docilidade, afirmam o direito à crítica, ao desconforto, à esculhambação do que merece ser esculhambado. Mas não se iluda. Há delicadeza e refinamento na aspereza da vida. E amor, e sexo, e camaradagem. E tiradas inusitadas, e achados literários. Comece a folhear as páginas, mas pise firme. E não olhe para trás. O Clube dos Descontentes não tem porta de saída.
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Marcelo Canellas, outono de 2009
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Para comprar seu exemplar mande um e-mail para marcio.grings@yahoo.com.br Assim que possível, retornarei e-mail com todas as informações para a posterior aquisição.
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R$ 20,00 cada livro + despesas de postagem.

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