Quando os grilos cansarem de fazer barulho


Sabe, tenho a impressão que não me conheces. Devo ter falhado mais uma vez. É... Talvez não saibas quem realmente eu seja. É provável que me vejas como um enganador qualquer. Oh. minha cara... Uma pena me julgares como a qualquer outro navegador de interesses. Não tenho pinta de farsante, e afinal - Eu sempre fui inofensivo, minhas garras não foram afiadas, & nunca soube blefar. Toda vez que sou desacreditado, temo que não me conheças de verdade. A imagem que tens de mim, parece distorcida. Porque turva-me frente aos teus olhos? Eu abandonei o cinza por tua causa & agora tu me jogas toda essa vingança parda? Eu perdi a partida antes mesmo de cortar o baralho. Eu não jogo porra nenhuma faz tempo. Larguei a jogatina, pois me denuncio. Meu olho trêmula toda vez que armo o bote. Por isso resolvi parar há alguns meses. Agora bebo em silêncio, eu & minha sina. Geralmente brindamos quando todos estão dormindo & quando os grilos já cansaram de fazer barulho. Antes que a última gota se esgote da garrafa, eu também me declaro esgotado. Cansado de ser incompreendido & demasiadamente rotulado como alguém que apenas dispara armadilhas. Uma pena pensar assim, Milady... Desde criança não mato nem as formigas. Eu sempre sou pego nessa brincadeira de esconde-esconde. Na verdade eu nunca fui criança, nasci com 30 anos, mas tenho a ingenuidade de um garotinho. Acho que nunca irei crescer ao ponto de compreender a natureza humana. A lua finalmente aparece lá fora. Será que amanhã vai chover de novo? Vejo um círculo, uma espécie de auréola em torno dela, algo que empresta um ar imaculado a lua nova. Estou no aguardo de boas novas. Boa noite!

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