quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A luz da sala


Tenho uma casa vazia que sussurra barulhos enquanto escrevo. Minhas coisas estão todas espalhadas pelos quatro cantos. Chuveiro não há. Comida não há. Lâmpadas estão faltando e outras queimam quando as acendo. Talvez seja o pessoalzinho do lado de lá passando uns recados pra mim. Estômago ronca. Meu pé treme como se tivesse vida própria. Garibaldi coça a barba & se move no dorso de um livro. A mala tá fechada & o toca discos eu ainda não liguei. A janela bate com o vento. Eu gosto quando venta. Alguém derrubou o cipreste que ficava em frente a minha janela. Ele tinha mais de 40 anos.


Coloco outra dose no T-shot & empurro garganta abaixo. Meu licor de menta El Abuelo verde metálico tá na metade & o dourado Jim Bean de meus dias melhores, já foi. Na verdade muita coisa já foi. Sabe-se lá pra onde. Mas a luz da sala parece um sol apontando na montanha. Eu gosto de ter uma luz por perto. Cada vez mais.

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