sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Sentado no sofá, OUVINDO UM SOM & pensando


A banda dispara alguma coisa em tom menor / sinto o drama: aquele som tem um peso que talvez eu não possa carregar ... mesmo assim eu aumento o volume. O VU reage, O falante pula como uma veia a espera de um pico de heroína. No início, o som finje estar morto / para logo depois explodir bem no meio da minha cara. Dá uma bela lambida no meu ouvido esquerdo e depois cospe no outro lado. A bateria é meu norte. As vezes eclode, outras vezes apenas marca. O baixo é meu coração / pulsa, parece que vai ... as vezes dá uma rateada, mas nunca pára! Como a respiração de um daqueles morimbundos que não se entregam. Resiste igual meu tio e seu câncer. A guitarra é meu novo sonho. Perdido / sozinho / parece um pássaro com a perna esquerda presa numa cerca de arame farpado. Quer bater asas / mas é um prisioneiro das quatro linhas do caixa de som. Pede ajuda, faz um barulho danado.... mas ninguém o vê. Aquele som parece não ter fim. Penso em tudo que fiz & principalmente em tudo que não fiz .... MERDA!!! São apenas alguns minutos - mas parecem uma eternidade que acaba definindo tudo / o que é (...) & o que não é.  A gaita de boca é um gatopretovoodoo miando dentro de um caldeirão fervendo. A voz é meu barco a deriva na tempestade elétrica. A letra me diz tudo aquilo que não queria ouvir. Ela grita bem alto: "Filho-duma-puta!!!! Que cê tá armando?". Eu respondo: "Apenas fazendo a minha oração, my Lord!" A música acaba ... os cinco minutos mais longos dos últimos tempos. O criador & seus recados. O blues & seus fantasmas gritadores.   

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