Eu, Lanois & todo aquele bando de estranhos loucos

A choupana não resistirá ao próximo temporal. Posso sentir o vento que virá da palavra final dita pela tua boca. O barulho & o hálito bom que vem de ti, construíram algo inatural em mim. Mas existente. Aparentemente resistente ao sol & a chuva. Um frágil abrigo contra a tempestade que um dia virá. Eu sei, tu sabes, todos sabem. Eu, Lanois & todo aquele bando de loucos. Não passamos de estranhos aos olhos do criador. Seja bem vindo ao Clube dos Descontentes. Vemos-nos em breve, no dia do juízo final. Eu vou ficar por lá, sentado na varanda olhando pra lua, conversando com gato angorá & procurando os fantasmas entre as folhagens. Eu escrevi alguma coisa indecifrável na contracapa de um livro de Maiakovski, algo importante que nunca virá à tona. A bicicleta vai ficar imóvel ao lado do corrimão, enferrujando, com saudade das ruas. A harmônica desafinou outra vez no quarto orifício. Eu insisto em soprar & aspirar na mesma nota. Não consigo mudar o caminho da minha boca. A louca rota que me leva a choupana onde as flores não murcham. Ciclo vicioso mais tortuoso que o trompete de Miles Davis no final dos anos 50. Se alguém agüenta o tirão, esse alguém sou eu. Corpo de pedra, coração de manteiga. As aparências enganam, mas eu devo ficar apenas um tempo por lá. Ficaria a vida toda, que seja publicado nos autos. Mesmo sabendo que aquela choupana dificilmente resistirá ao próximo temporal. As paredes até podem se esfarelar, o telhado provavelmente irá ruir, mas um pedaço daquilo que sou de verdade vai permanecerá por lá. Solto no espaço para todo o sempre. Assim será.

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