Segurando a bronca

photo: louis stettner


em seus olhos preguiçosos as cores pareciam bem mais vivas & também já começava a sentir o fogo beliscando os calcanhares / outra vez antes do desastre ele era uma máquina potente / cavalo de Força a rabear pelas quebradas & pelo chão batido/ (...) o cara tava desgovernado... suas sandálias se encarregaram de o levar até o seu destino. aquele homem estava totalmente hipnotizado pela incoerência de um inconfiável piloto automático. pelo amor de Deus! Era preciso ter tomado uma providência & pelo menos buscar uma solução final & talvez reencontrar o prumo ou o senso de direção. decidido a dar cabo dessa situação maldita - ele pisou no freio, virou o volante & deu um cavalo de pau naquele desejo infame – atravessando o bicho na pista. bastava apenas ele jogar o animal na lona antes do primeiro round, controlar a maldita situação sem ao menos ter pisado no ringue, pois temia o que estava por vir. mas que nada! tudo foi em vão ... a Coisa continuou se mexendo – aparentemente abatida, fingindo de morta – mas na verdade fortalecida. e a criatura impiedosa foi cravando as unhas na sua insanidade & sobretudo esboroando a realidade como um sonho lascivo. mas a abstinência forçada estava esgotando sua paciência. Ele teria outra noite daquelas.

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