segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O Vôo do Rouxinol - Parte 6

O lance foi o seguinte: tudo começou com Homero. A bola quicou pra Alexandra. Depois caiu nas garras do tigre. Chagas jogou psicodelia na trama e a Fani me colocou numa sinuca de bico. Abaixo você pode acompanhar toda a história clicando nos links. Leia na ordem e saiba porque David Linch já entrou em contato conosco para adaptá-la para o cinema. Em breve estará em Hollywood. A doideira toda não tem data pra acabar. A continuação fica a cargo de Tatiana Py. Boa viagem.

parte 1 - Homero
parte 2 - Alexandra
parte 3 - Tigre
parte 4 - Chagas
parte 5 - Fani
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O rosto na fotografia era o de Beatriz. Aquela mulher fora uma das grandes paixões da vida de Hermes Ferreira! Chegaram a sair juntos por alguns meses. As trepadas eram inesquecíveis e Ferreira a venerava como nunca idolatrou ninguém. Mas passado um tempo, sem aviso prévio ela não atendeu mais as ligações dele. Nunca se conformou com o silêncio. Ele sabia, aquela mulher não era feita de algodão, ou seja, curtia uma jogada ilícita. Mas porque Plácido carregaria no bolso uma foto de Beatriz? No último semestre Beatriz Linz ganhou as manchete em todos os jornais. Simplesmente desaparecera do mapa. Após meses de investigações que chegaram a lugar algum, as buscam finalmente foram encerradas pela polícia local. Nenhuma pista. Será que Plácido estaria relaciondo a essa trama, teria ele se envolvido sexualmente com Beatriz ou apenas investigava o caso secretamente? O que ele queria dizer com a frase “Você prometeu...” (?) No verso da foto havia uma data – “13/13/2006”. Uma frase escrita em lápis com letra de fôrma na parte inferior da foto completava o enigma – “Gota lunar mordida”. “Que raios queria dizer tudo isso?”, pestanejou Ferreira. Ele repetiu várias vezes para si: ”gota lunar mordida. 13 do 13 (??) ”.
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Olhou seu relógio fuleiro no pulso. O vidro tinha quebrado. Já era quase quatro da matina, pelo menos os ponteiros marcavam esse horário. Ferreira percebeu que um diminuto córrego escorria pela sua boca. Passou a língua entre os lábios e reconheceu o gosto de sangue. Não se importou. Tinha um bocado de gente por ali em situação bem pior. Imagine a cena: uma rodovia vicinal como aquela que dá acesso a um fim de mundo chamado - Poço das Águas Negras. Um carro todo arrebentado atravessado na pista com os faróis ligados iluminando um campo aberto. O corpo de seu amigo Plácido Fortes estirado sem vida no acostamento envolto pela neblima. Cacos de vidro espalhados pelo asfalto, enquanto o capanga dava o último suspiro sobre o volante do automóvel e o anão... (...) putz! Onde estaria a bichôna Dolores! Não visualizou nem um simples rastro do anão diabólico! Ele deu uma circulada sondando o terreno e não encontrou aquele baixinho filho-da-puta. Depois de alguns minutos de procura, arrancou o espelho retrovisor do Opala Comodoro que estava pendurado por meio parafuso e ficou de cócoras em frente aos faróis ligados. Percebeu que a fonte daquele sangue que ainda escorria pelo seu rosto era um pequeno corte na testa. Nada demais. Deu uma sacada no capanga e percebeu que o cara foi pro saco mesmo. Sentia vontade de pitar um crivo. Enfiou a mão no bolso interno do paletó do homem e encontrou um Zippo novo em folha e mais uma carteira de cigarros lacrada. Sua marca preferida, perfeito! Testou o novo isqueiro. A chama iluminou o rosto de Ferreira. Com um ar de satisfação jogou o velho isqueiro Bic no colo do defunto e rasgou prazeirozamente o celofane da carteira zerada. Apagou os faróis do carro e ligou o rádio baixinho. Acendeu um cigarro e botou a cachola pra pensar. “Que merda é essa!”, ele balbuciou. No rádio tocava um som do Black Crowes. “Welcome To The Good Times”. Ferreira riu sozinho sentado no capô. Precisava entender aquela maluquice. “Bons tempos o caralho!”, ironizou a letra da música que não dialogava com a realidade. "Aonde diabos estaria Rouxinol? Quem seria de fato aquela vagabunda!" Num lampejo resolveu fuçar no porta luvas do carro. Tentou abrir a porta do carona. Não abriu. Foi até a porta do motorista. Okay. Arrastou o corpo do homem de terno Oxford e Rolex pra fora do carro. Deixou o presunto estirado de bruços ao lado do corpo do outro defunto. Antes retirou o Rolex do pulso do motóra. Abandonou seu relógio detonado e ficou satisfeito com a troca. Ele precisava sair dali com alguma espécie de lucro. Era o mínimo depois de tudo aquilo.
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Voltou até o carro e abriu o porta-luvas. Ligou a luz interna e começou a bisbilhotar a coisa toda. Encontrou um envelope amarelo com uma fita adesiva branca fechando a borda. Aumentou o volume do rádio - "Did you say you lost your pride?You tried to hide" - Chris Robinson e os Corvos continuavam conversando com ele. Antes de violar a papelada olhou pra fora e ouviu uma movimentação no campo aberto, logo a frente. Reconheceu um barulho familiar de ferradura batendo no asfalto. Como se fosse o trote de um cavalo em disparada. Ligou os faróis pra furar a neblina que havia ficado ainda mais espessa e viu uma cena dos infernos. “Puta-que pariu!”, ele exclamou com os olhos arregalados. Um estrondo abafado o colocou a nocaute. (...) Alguém o acertou nos cornos com muita força. Nosso homem apaga... Ferreira estava outra vez em sérios apuros.

5 comentários:

  1. Viva! Mais um capítulo sensacional da história. David Lynch tem toda a razão em querer rodar um filme com essa história!! Somo os máximo mesmo.
    Bjos, queridão

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  2. tô adorando essa história... bota pressão na tati porque ela tá cheia de ameças, quer assassinar o blog e tudo... e eu quero saber como continuaaaa!!!

    (amo o filme aí de cima)

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  3. David Lynch não faz minha cabeça...mas minhas mãos de diretora aprendiz adoraria rodar isso!

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  4. Márcio, estou ciente da responsabilidade absurda de continuar essa obra prima... Meus neurônios estão em chamas...

    O que faço?
    Beijos!

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  5. Hummm. Boa continuação! A trama voltou a ficar misteriosa... Quero mais! Now!!!

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