Gram Parsons, um dos grandes difusores do Country rock

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9 de abril é dia de lembrar o nascimento de um dos pais do country rock. A cena pop californiana embebida pelo country nos 1970 não seria a mesma sem a passagem de Gram Parsons pelo planeta. Nascido Cecil Connor em 1944, viveu sua infância entre a Flórida e a Geórgia, onde aprendeu os primeiros acordes com o pai, Coon Dog Taylor, músico country que se suicidou quando Gram tinha só 13 anos.

Arte: Ryan Kelly
Após um novo casamento da mãe, adotou o nome e sobrenome do padastro (um alcoólatra que morreu no mesmo dia em que ele se formou). Colocou o pé na estrada e chegou a nova York, onde ganhou alguns trocados tocando nos botecos da Big Apple. Montou a International Submarine Band, banda no qual gravou apenas um disco e logo depois, em 1968, migrou para Los Angeles. Imerso no mundo do rock da costa oeste, conheceu Chris Hillman, baixista dos The Byrds, que o levou para o grupo. Ficou apenas 90 dias na banda, tempo suficiente para gravar o álbum “Sweetheart of The Rodeo”, gênese do country-rock. Após cair fora do Byrds, montou o The Flying Burrito Brothers com Hillman, onde gravou dois bons álbuns – “Gilded Palace of Sin (1969)” e “Burrito D’Luxe” (1970). Ia seguir carreira solo, mas sofreu um acidente de moto e só em 1972 foi gravar seu LP de estreia.

Nesse meio tempo, conheceu a cantora Emmylou Harris e Keith Richards, influenciando os Rolling Stones em canções como “Sweet Virginia”, “Dead Flowers” e “Wild Horses”, esta última, inclusive, gravada pelo Flying Burrito antes do lançamento de “Sticky Fingers”, dos Stones.

Parson com o amigo Keith Richards. Reprodução: Train Your Brain To Happiness
Seu primeiro álbum solo, “GP”, foi lançado em janeiro de 1972. Gravado em Hollywood, a banda base tinha parte dos músicos que acompanhava Elvis na estrada da década de 1970. Lá estavam o guitarrista James Burton, o baterista Ronnie Tutt e o tecladista Glenn Hardin (que também era diretor musical do conjunto). Além deles, completavam o time – Emmylou Harris, dividindo muitas vezes taco a taco os vocais com Gram; o baixista britânico Rik Grech (Family, Blind Faith e Traffic); Al Perkins (Shiloh, Stephen Stills, Flying Burrito), no dobro, entre outras cobras criadas da cena da época. 

Parsons, no dia de seu casamento. Reprodução 
Em setembro de 1973, após concluir as gravações de “Grievous Angel”, seu 2° disco, saiu em férias, regadas a álcool e drogas na maior parte do tempo. Foi encontrado morto em um quarto de motel, logo após uma overdose. Ele tinha só 26 anos. O toque bizarro da história é que seu empresário, Phil Kaufman e mais um amigo roubaram o cadáver de Gram do aeroporto, de onde seguiria para o enterro em Nova Orleans. A dupla seguiu para Joshua Three, onde tocaram fogo no cadáver, numa espécie de cremação ao modo índio, desejo confesso do músico. Existe um filme – “Parceiros até o fim“, de David Caffrey, que esmiúça o tema.

Sobre “Grievous Angel” dá pra dizer que o álbum mantém o alto nível do trabalho anterior. A banda base de Elvis e Emmylou Harris seguem na linha de frente, com a adição de mais dois nomes de peso: Bernie Leadon (Eagles) e da musa country Linda Ronstadt. Destaque para a apoteótica “$1000 Wedding”, a balada “Love Hurts” (sim a mesma canção regravada logo depois pelos escoceses do Nazareth), a satírica “OOh Las Vegas” (que soa como uma pura tiração de sarro em Elvis). Mas nada se compara a belíssima e profética “In My Hour of Darkness”, canção de despedida com Linda Ronstadt e Emmylou Harris fazendo a cama para o vocal de Parsons, última faixa do lado B do álbum, lançado em janeiro de 1974.

Uma apanhado de melhor de Gram você confere no player abaixo.

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