PYLLA LÁ DE VOLTA OUTRA VEZ EM NOSSAS VIDAS

Foto: Yuri Weber
Por Márcio Grings (colaborou Camila Gonçalves) Fotos: Yuri Weber

Venho rabiscando frases desde o final do show, mergulhado nesta aura de nostalgia, criação e inovação que Pylla e a C14 nos presentearam no palco do Teatro Treze de Maio. Além disso, absorver toda emoção do dia 20 de julho de 2016 não tem sido tarefa fácil, visto que entre abraços e olhos brilhantes foram muitos reencontros, histórias relembradas, gargalhadas e olhares marejados Venho rabiscando frases desde o final do show, mergulhado nesta aura de nostalgia, criação e inovação que Pylla e a C14 nos presentearam no palco do Teatro Treze de Maio. Além disso, absorver toda emoção do dia 20 de julho de 2016 não tem sido tarefa fácil, visto que entre abraços e olhos brilhantes foram muitos reencontros, histórias relembradas, gargalhadas e olhares marejados.

Foto: Yuri Weber



A resenha não foi fácil de ser escrita, pois estou falando como produtor do show, ao qual trabalhei com minha parceira Ana Bittencourt, como colunista e como fã deste artista que marcou a história do rock na cidade e além fronteiras. A partir do convite para a produção do lançamento do seu último disco, iniciamos o planejamento desta noite que desde já víamos como memorável, e foi! Sou grato pela experiência de trabalho e a aproximação com pessoas tão talentosas, além de conhecer mais de perto o homem Pylla Kroth, e sua esposa Fran Cullau (artista responsável pela arte do CD e pelo figurino original do vocalista).

Foto: Yuri Weber


E pra quem há quase 35 anos trilha uma vida calcada no rock (e sabemos que a vida da música não é fácil), todos puderam ver e rever a energia, simpatia e bom humor do Magrão,  aos mais de 50 anos (eu sei a idade dele, mas prometo que não vou contar) nos presenteando com uma das melhores fases de sua carreira. O lançamento de “Lá de volta outra vez”, seu 4º trabalho solo, marca um momento histórico para a música autoral local: Pylla acaba de lançar um dos melhores discos do rock santa-mariense! O álbum pode certamente figurar no topo das listas. E digo mais - o Brasil que gosta de rock precisa ouvi-lo!
Foto: Yuri Weber
Santa Maria é a cidade que Pylla escolheu pra viver, e o lugar perfeito para esta Première. Pela primeira vez protagonizou um show no Theatro Treze de Maio, onde estavam presentes fãs de várias gerações e amigos fiéis.

Voltando algumas horas da quarta-feira 20 de julho, Pylla passou a voz logo depois das 17h30 e foi direto para o camarim. Ao lado da esposa, o velho Pylla não deixava de demonstrar certa apreensão pela estreia no Treze.  O clima nos bastidores era de empolgação e celebração. Reencontro de velhos camaradas, gerações de músicos interagindo, cantoria no ar, uma ‘jam’ inédita em um dos camarins (Batavo e Ritzel) esquentou os momentos finais antes de todos colocarem o pé no palco.
07h55min, eu e Pylla subimos pelo elevador do Treze, e assim, chegamos ao palco central de todos os acontecimentos.


O início do texto de apresentação introduz a noite:

Foto: Yuri Weber

"Se existe um nome do rock da Região Central do RS que tenha a simbologia de lenda, esse nome é Pylla Kroth. O artista que escolheu Santa Maria como pátria pontua a quarta marca em sua discografia solo com um CD que tem a logotipia do rock entalhada a ferro". E aí foi, até o clássico:

"Senhoras e senhores com vocês - Pylla Carbono 14 "Lá de volta outra vez!"

Foto: Yuri Weber


O espetáculo começa com um emocionante medley instrumental que reprisa a história do protagonista. Tudo a cargo de Leo Mayer (guitarra e direção musical da noite); Marcelo Sartori (baixo), Cezar Nogueira (bateria), a C14 em sua formação, acompanhado do vários convidados. Nesse momento inicial temos o teclado de Diego Pignataro (Magical Mystery, Tia Sú), mais as vozes de Deborah Rosa, Daiane Diniz, Fernanda Junges e Alexandre 'Pinttoo' Hoehr. Já na passagem de som, Rafael Ritzel e Gonçalo Coelho, convidados da noite, pareciam embasbacados com o novo arranjo de velhos temas que os dois ajudaram a construir três décadas antes. Na abertura, em um movimento clássico dos shows, o pedestal é lançado à coxia e pego no ar por Mauro 'Defunto', conhecido roadie da cena santa-mariense. Uma cena a lá David Coverdale!

Foto: Yuri Weber
Quando Mayer puxa o riff de "Visão Turva", faixa de abertura do novo trabalho, Pylla finalmente entra no palco. A plateia já está conquistada. O já conhecido corpo esguio que se tornou icônico a frente da banda Fuga, aparece revigorado. A seguir, o disco foi tocado na sequência das nove faixas que ouvimos do CD. Devido às demandas da organização, não pude assistir de perto "Na Real" e "Fuligem", mas, soube depois pelos músicos que foi de arrebentar o bumbo!  De longe reconheci "Rotina", uma música desencavada do repertório da Fuga (que não chegou a ser gravada).

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Esse nova versão (ao vivo) conta com a participação dos irmãos Molina, Renato e Marcus, nomes conhecidos do rock local. Entre as músicas Pylla compartilha suas características histórias e lembranças com o público, é evidente o entrosamento e intimidade entre o cantor e a audiência. O guitarrista Gustavo 'Batavo' Leitão é convidado a compor o grupo e acaba promovendo um duelo com Mayer em "Novo romântico", regravação (ou reinvenção) do extinto power trio local Banana Explícita, ganha uma longa introdução ao vivo, com interações entre os guitarristas. Diga-se de passagem, que esta (falsa) balada já é hit em uma rádio local.

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"Indigerível" segue com metal pesado made in SM, um tema que cresce a cada audição e ao vivo se revela em outro grande momento da noite. Pylla sai de cena em "Escape II", tema instrumental em que a Carbono 14 mostra todas as suas nuances, com direito a solos e mise-en-scène característicos de um bom e clássico show de rock and roll. Antes de "Passará", Pylla surpreende o publico cantando "Se essa rua fosse minha", clássica cantiga de roda que também revela a memória afetiva do vocalista E dessa forma, "Passará" por breves momentos ganha esse tom, quando Pylla faz o jogo de palavras na música: "Passa, passa, passará / A porteira está aberta para quem quiser passar”. A porteira está aberta para "Já era", um hit do Magrão que já está na boca do povo. A coisa ainda esquentará mais...

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Já imaginaram um show dos Rolling Stones sem "Satisfaction"? Essa analogia pode ser transferida para um show de Pylla C14 sem "Saudade", sucesso maior da história do rock santa-mariense. No palco, time completo mais Rafael Ritzel (guitarrista e compositor do hino), Gonçalo Coelho (baixista da Fuga) e tecladista Adriano Zuli (Geringonça) e o máximo de convidados para cantar com o publico uma canção que emociona quem viveu nesse chão e tem o rock na veia.


Ao final, Pylla sai de cena, e desce o elevador. Novamente estou ao seu lado. Ele parece anestesiado. Dou um abraço no Magrão, e pergunto se tudo está ok. Ele diz que sim. A mulher o espera no camarim. Fran fecha a porta e os dois tem um momento só deles. Lá em cima, no auditório, o público não arreda pé, chama o já esperado 'mais um', afinal, Santa Maria não é a cidade do rock?

Foto: Yuri Weber
Ele ouve os chamados do público e a porta do camarim se abre. Pylla entra correndo no elevador e em poucos segundos estamos no palco. A festa não poderia terminar de melhor forma. "Cidade do Rock" é outro daqueles temas que sintetizam o quanto a cidade universitária respira rock and roll e o quanto estamos conectados a toda essa energia que emana da música.

Foto: Yuri Weber








A noite ainda teria seu delay. Pylla recebe o carinho do público e autografa por mais de uma hora no hall do Treze. Cada fã teve seu momento com o ídolo, este foi um pedido especial do cantor - poder ter tempo para confraternizar com o público e foi emocionante, cada um tinha uma história para contar. As repercussões nas redes sociais ainda retumbam e ficará marcado na lembrança dos presentes. Sim, Santa Maria viveu uma de suas noites roqueiras históricas... E tem mais: Pylla C14 preparam novos voos para breve. Uma certeza fica explícita - RS e o Brasil precisam saber que o rock feito aqui ainda pulsa e inspira gerações. Depois de respirar por aparelhos durante um tempo, a cena autoral vive um momento na ponta na cidade, e este show com um veterano que ganhou (e dá) sobrevida a um espírito que imperou nos anos 1980 na Boca do Monte.

Foto: Yuri Weber
Fica a sensação de que o melhor ainda está por vir. Em breve termos divulgações de vídeos captados, mais anúncio de shows e outras surpresas...

GringsTour e Pylla C14 agradecem aos apoiadores culturais que acreditaram no projeto do show de lançamento de "Lá de volta outra vez". 

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