Woodstock, 2° dia - 16 de agosto de 1969

A lendária imagem do casal de namorados estampada na capa do álbum que traz a trilha sonora do Festival. 
Por Márcio Grings

Em Agosto, o mundo do rock sempre relembrará Woodstock, o maior e mais celebrado festival de todos os tempos. O evento aconteceu em uma fazenda na cidade rural de Bethel, Nova York, de 15 a 18 de agosto de 1969, e reuniu parte dos mais importantes artistas do cenário musical da época. Um dos grandes lances de Woodstock, é o fato de que pela primeira vez, o público passa a ser protagonista em um evento pop, ganhando tanto destaque quanto os artistas.

Reprodução
Para comprovar: basta ver o filme ou ouvir o disco. O que seria de Woodstock sem toda aquela massa humana que casou um dos maiores congestionamentos da história de Nova York? Liberdade sexual e ativismo político, o espírito contestatório da época, o livre consumo de drogas e toda a apoteose hippie foi documentada durante os três dias de paz, amor e música - Peace, love & Music - frase promocional que foi impressa nos cartazes de divulgação. 

Hoje falamos de quem passou pelo palco no segundo dia de evento. Saiba como foi o 1° DIA


Sábado, 16 de agosto


Quill

Keef Hartley Band

The Incridible String Band

Santana

Canned Heat

Mountain

Janis Joplin

Sly & The Family Stone

Grateful Dead

Creedence Clearwater Revival

The Who

Jefferson Airplane


Tarde de muito calor. O a abertura fica a cardo do desconhecido Quill, grupo apadrinhado por Michael Lang (um dos realizadores do festival), mas que acabou não empolgando. A platéia mostrou-se desinteressada com a mistura de blues, rock e pitadas de jazz. Em 40 minutos, eles saltaram do tablado. Na sequência chega o esoterismo da Incridible String Band, que deu uma arrefecida ainda maior nos ânimos. Naquele pasto escaldante de Bethel, foram a única banda a não dar bis nos três dias. Logo depois seria a vez dos britânicos da Keef Hartley Band, comandados pelo baterista Keef Hartley, músico egresso das fileiras do bluesman inglês John Mayall. Eles tinham recém lançado o elogiado álbum HalfBreed, e deram uma aquecida de leve na audiência.

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Mas a tarde começou a esquentar de verdade na apresentação da banda do guitarrista Carlos Santana. O músico vinha colocando as garras de fora no Filmore West, lendária casa de espetáculos do empresário Bill Grahan, em San Francisco. Curiosamente, ele e seus partners foram os primeiros artistas a encabeçarem o cartaz em uma noite no Filmore. Isso sem ter ao menos um disco lançado! No debute da banda na costa leste, eles praticamente enfeitiçaram a plateia com sua mistura de temas latinos, rock'n'soul, uma somatória de estilos e promiscuidade musical que encontrou ressonância na Nação Woodstock. Prova disso é a performance da banda em "Soul Sacrifice". Destaque para o jovem baterista Michael Shrieve. Santana deixou o festival consagrado.

Mantendo a chama, logo depois chega a vez de um dos grandes representantes do blues branquelo. O Canned Heat fez um dos melhores shows do 2°dia, confirmando-os com um dos nomes importantes da cena dos anos 1960. No filme, veja o vocalista Bear, sendo filado de seus cigarros por um fã que amistosamente invade o palco e bate um papo com o líder do Heat. Tudo isso no meio de um solo de guitarra! Na esteira vem o rock pesado do Mountain. Leslie West se encarregou de lacrar o volume do amplificador. Temas como, "Theme from Imaginary Western" caíram como uma luva naquele início de noite.

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Janis Joplin estava no epicentro para onde convergia o final daquela década: bebidas, drogas, música, sexo e talento. Favorita das multidões e dos músicos, a cantora começa ditando o tom da sua apresentação: “Como estão vocês... (...) Vocês estão doidões e tem água suficiente?“. Logo depois despejou no mar de rostos grande parte de seus clássicos. Showzaço! Para manter os motores em alta rotação, nada melhor que a música negra do reverendo Sylvester Stewart à frente de sua banda Sly & The Family Stone. A barulheira mais alegre do festival. Quem não se emocionou no filme com a melhor tradição "pergunta e resposta", ao estilo dos cultos de igreja em "I Wanna Take You Higher". Quem vem depois? Simplesmente uma das mais queridas e aguardadas bandas da América, que infelizmente teve um azar danado no festival. O Grateful Dead foi atrapalhado por problemas técnicos, incluindo um pedaço do chão defeituoso e também dois dos integrantes da banda - Jerry Garcia e Bob Weir, afirmaram levar choque quando se encostavam aos seus instrumentos. Em resumo: a performance do Dead foi segregada a versões piratas dos registros, tanto no filme, quanto na trilha sonora.

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Madrugada de domingo, sob os holofotes, uma das bandas mais populares da época, o Creedence Clearwater Revival. Infelizmente os problemas técnicos que assolaram o Dead continuaram com John Fogerty e os seus. Eles não se importaram e dispararam sua coleção de hits. Um sucesso atrás de outro. Com o público em ponto de bala, o The Who entra no palco as 4 da matina e solapa todo o resto. Um dos melhores momentos daqueles 3 dias de som. Tocaram praticamente toda a ópera rock Tommy e lá foi pedrada. Foram mais de duas horas de espetáculo, em uma das maiores apresentações de todo o evento. Como resultado, O Jefferson Airplane entra no palco com o sol nascendo, passado das 6 horas da manhã. A vocalista Grace Slick saudou a platéia dizendo: "Ok, amigos, vocês já viram os grupos pesados; agora vocês verão música maníaca matinal” O show foi curto, direto e eficiente. O rock lisérgico da velha Frisco foi a final perfeito para uma noite daquelas.

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