BEBETO ALVES MANDANDO EMOÇÃO

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"Como se a escuridão trouxesse luz". Foto: Rodrigo Ricordi



Grande parte das vezes segurar a emoção é algo impossível. Ainda mais complexo é tentar definir esse sentimento tão importante em nossa existência. Sem esse ingrediente a vida fica opaca. Mas, afinal, por que nos emocionamos mais com determinado tema do que outro? Cada qual com sua história e bagagem. Eu, por exemplo, chorei em três shows na minha vida: Paul McCartney, Elton John e “Mandando Lenha”. No caso de "Mandando Lenha", o CD, é necessário fazer referência à minha memória afetiva em relação a esse álbum em que Bebeto Alves interpreta apenas canções de Mauro Moraes. É um dos discos que mais ouço. E ver esse show depois de 18 anos é algo que, até então, me parecia apenas uma divagação de fã.

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Foto: Fabiano Dallmeyer

Quis o destino que Santa Maria recebesse essa apresentação histórica antes de qualquer outra cidade aqui no RS. Porto Alegre só verá em novembro, lembrando que a première foi em Buenos Aires (28/06), na inauguração do Centro Cultural Néstor Kirchner, com um público de 1.750 pessoas. Aqui na Boca do Monte, o show aconteceu na última quinta-feira, no Centro de Eventos do Itaimbé Palace Hotel. Bebeto Alves (voz), Clóvis ‘Boca’ Freire (baixo acústico) e Marcello Caminha (violão de náilon), encontraram uma audiência atenta e disposta a ouvi-los. E Bebeto estava a fim de papo. Conversou, contou histórias, falou das canções de Mauro Moraes e cantou muito.

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Foto: Gika Oliva[/caption]

Certa vez, a cantora Janis Joplin disse em uma entrevista: "Eu canto com a minha alma e com o meu corpo”. Sim, o uruguaianense Bebeto, o artista que partiu da fronteira oeste para ganhar o mundo, canta e sacoleja muito bem vestido em seu djellaba marroquino. Hiperativo como intérprete, ele utiliza o gestual para materializar-se como principal personagem frente às histórias que se desenrolam nas letras.

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Foto: Rodrigo Ricordi

Afinal, ninguém canta melhor Mauro Moraes do que Bebeto. Nem o próprio Mauro. Ao vivo, as canções crescem; se reinventam; mudam o andamento; alguns inícios e finais são diferentes; os olhares entre os músicos não podem ser ofuscados pelas fantásticas luzes desenhadas pelo ‘maestro’ Alexandre Lopes (técnico de luz do evento). Pelo contrário, esse cruzamento é realçado no núcleo dessa ambiência, e por fim, o arrebatamento do público é inevitável. Enquanto show, “Mandando Lenha”, o disco, é um organismo vivo.    

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Foto: Fabiano Dallmeyer

Muito fácil perceber a emoção pairando nos semblantes iluminados pelo apagar e acender das luzes. No meu caso, as lágrimas vieram rápidas, já na abertura, em “Chamamecero”.  O álbum é tocado na ordem, e depois de cantar “No Fundo da Alma”, olhando nos olhos da audiência, Bebeto revela uma de suas epifanias: “Eu as peguei pra mim, agora essas canções são minhas”, diz o artista ao se reconhecer como intérprete de um dos trabalhos mais importantes da sua carreira.

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Foto: Gika Oliva

A apresentação, regionalista em sua essência, permite nas entrelinhas trânsitos e amarras com outros gêneros: o rock e o soul na atitude, na postura de palco e na interpretação de Bebeto Alves; o violão de Marcello Caminha, ora incidindo por território semelhante ao do cantor, mas na maior parte das vezes soando arraigado ao autêntico nativismo; contrabalanceado a linguagem quase jazzística de Clóvis ‘Boca’ Freire. Temas como “Juntando os gravetos” e “Charla de tropa” crescem no tête-à-tête. “Do fundo da alma” e “Com o violão na garupa” brilham ainda mais. É impossível não sentir o coração pulando dentro do peito, inflado pelas visões materializadas pelo trio. E teve surpresa: bis com “Campereando” e “Em cima do laço”, músicas que promovem a ponteada final de uma noite histórica, relembrando outro disco da dupla Bebeto/Mauro, “Milongamento”, de 1999.

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Foto: Priscila Fialcoff

E falando em emoção, confesso que poucas vezes me senti tão imantado pela luminosidade de um espetáculo. É como se tudo aquilo que vivi durante cerca de uma hora no show, continuasse comigo. E certamente permanece. Afinal, sigo com "Mandando Lenha" orquestrando minhas idas e vindas ao longo e a sombra dessa existência ao qual estou confinado.
Veja mais imagens dos nossos fotógrafos.

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Foto: Rodrigo Ricordi

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Foto: Gika Oliva

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Foto: Gika Oliva

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Foto: Rodrigo Ricordi

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Foto: Rodrigo Ricordi

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Foto: Gika Oliva

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Foto: Fabiano Dallmeyer

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Foto: Fabiano Dallmeyer

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Foto: Priscila Fialcoff

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Foto: Rodrigo Ricordi

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Foto: Rodrigo Ricordi

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Foto: Rodrigo Ricordi

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Foto: Gika Oliva

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Foto: Gika Oliva

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Foto: Fabiano Dallmeyer

set Foto: Márcio Grings

"Mandando Lenha em Santa Maria foi um oferecimento de Fundação Eny, Uglione, Ótica Sílvio Joalheiro, CDL Santa Maria e Klinikon.
Apoio: Itaimbé Palace Hotel, TV Santa Maria, Mídia Urbana, Divino Restaurante e Eventos, Guds, Cinemashow, Jornal A Razão, The Park, Santa Brasa, HVinte Eventos, Serve Bem, Bella Festa e Sandor Mello Produções Artísticas

Realização: Expertise Cultural e On The Rocks.

A On The Rocks agradece a todos os personagens de "Mandando Lenha" em Santa Maria: Bebeto Alves, Marcello Caminha, Clóvis "Boca" Freire, Rafael Cony (Expertise), Rodrigo Rheinheimer (técnico de som), Alexandre Lopes (técnico de luz), Luci Caminha, Ana Bittencourt, Paulo Teixeira, Pablito Diego, André e Thaís Trevisan, Renata Camargo, Sandor Melo, Andréa Amaro, Gika Oliva, Rodrigo Ricordi, Fabiano Dallmeyer, Priscila Fialcoff, Juliano Scheffelbein e equipe H20, Ademir Lima, Tiago Hoffman, Leandro Grazzioli, Aline Druzian Petrucci, Taís Beuren, Ewerton Falk, Tonho Saccol, Sávio Werlang. Caroline Viana, Elaine Santiago, Alexandre De Grandi, Mariana Borges, Patrícia Riet, Rosane Kasten, Pedro Vaz, Sandro Barrros e todos aqueles que acreditaram na realização do evento.

Também somos gratos a todos os veículos de imprensa que nos apoiaram com espaço e divulgação, aos divulgadores e compartilhadores no Facebook, Twitter e redes sociais, além de cada uma das pessoas que esteve no Centro de Eventos do Itaimbé Palace Hotel.

Foto: Gika Oliva

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